Revista Indústria Brasileira - Novembro/2021
Questão de sobrevivência É ASSIM QUE PAULO BATISTA, CEO DA ALICERCE EDUCAÇÃO, DESCREVE A IMPORTÂNCIA DE AS INDÚSTRIAS ADERIREM AOS PRINCÍPIOS DO ESG Mais produtividade, inovação e criação de uma cultura corporativa. Esses são os ga- nhos no longo prazo que as empresas têm ao aderir ao ESG, afirma Paulo Batista, CEO da Alicerce Educação , startup de impacto so- cial. “Aderir ao ESG não é mais uma op- ção, uma questão de concordar ou não. É uma questão de sobrevivência para as in- dústrias”, resume. No curto prazo, diz, essa adesão contribui para reter talentos e en- gajar os colaboradores. Qual é a importância das estratégias do ESG no contexto atual do Brasil? É um tema central, que vemnuma nova roupagem, mas ele não é novo. É toda a temática de susten- tabilidade, que vem crescendo muito des- de a década de 1990, e, nessa nova roupa- gem, está vindo commuita força. Para mim, a questão central por trás disso é uma mu- dança geracional. Você tem uma nova gera- ção, que são os millennials , chegando aos 40 anos de idade e assumindo um papel central na economia, e essa geração vem com a exi- gência da sustentabilidade. Isso se traduz em uma expectativa dos investidores, dos con- sumidores e dos talentos. Aderir ao ESG não é mais uma opção, uma questão de concor- dar ou não. É uma questão de sobrevivência para as indústrias. Qual é a importância da educação para construir essa cultura? Em um país como o Brasil, em que a raiz de todos os problemas sociais está na falta de acesso à educação bá- sica pela grande maioria da população, pos- sibilitar esse acesso é crucial. De certa forma, os princípios do ESG estão alinhados a um objetivo de maximização do lucro do capita- lismo, porque a falta de acesso a uma educa- ção básica de qualidade é uma crise humani- tária no Brasil, e também é o maior gargalo da indústria. A prova do Pisa, que é a prova internacional de qualidade de educação bá- sica, mostra que só 30% dos brasileiros che- gam ao final da escola com os conhecimen- tos de português e matemática necessários para ser um operário em fábricas. Então a indústria brasileira vive um gargalo de mão de obra e um gargalo de produtividade exa- tamente por conta desse problema. Como você vê a inserção desses prin- cípios no ambiente corporativo? Muitas 22 Revista Indústria Brasileira ▶ novembro 2021 ▼ Capa |
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