Revista Indústria Brasileira
lembra que fomos o primeiro país em de- senvolvimento a apresentar metas absolu- tas de redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE). Segundo Thomé, a agenda da susten- tabilidade não é mais opcional, mas man- datória para a indústria brasileira, devido ao grau de exigência de consumidores que hoje optam por produtos, serviços e em- presas que produzem de forma sustentável. “Além disso, os governos sinalizam sobreta- xar importações de países com alta pegada de carbono em seus processos produtivos e pode haver dificuldade de financiamento da produção”, argumenta. Isso porque diver- sos fundos e bancos caminham na direção de investir apenas na produção sustentável, explica Thomé, que também é diretor-exe- cutivo do Instituto Amazônia+21. PILARES DO BAIXO CARBONO Os quatro pilares definidos pela CNI se- rão apresentados no estande do Brasil na 26ª Conferência das Partes sobre Mudanças Climáti- cas (COP26), de 31 de outubro a 12 de novem- bro, em Glasgow, na Escócia , para quando se esperam avanços na regulamentação do artigo 6 do Acordo de Paris, que prevê a cria- ção de ummercado de créditos de carbono. As medidas já implementadas pela indús- tria brasileira serão ilustradas com diversos cases de sucesso do setor, que representam ações concretas para o meio ambiente e a sustentabilidade do país. O evento também será uma oportunida- de de atrair investimentos para o Brasil, que ainda possui participação tímida na obten- ção de recursos no mercado internacional. Dados da CNI mostram que, enquanto a Ásia – continente com a maior participação – fi- cou com 38% dos recursos de fundos climá- ticos, a América Latina e o Caribe receberam apenas 4,5% do total. O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, ressalta que, “apesar de o Brasil estar bem aquém do seu potencial para re- ceber financiamento climático, a indústria brasileira vem fazendo investimentos ex- pressivos em descarbonização”. Segundo ele, “a agenda climática é uma oportunida- de para produzir e consumir de forma mais consciente e eficiente e, na COP26, a indús- tria brasileira vai mostrar seu comprometi- mento com a questão ambiental, que vem de muito tempo”. No caso da transição energética, a in- dústria defende a expansão do uso de fon- tes renováveis, o fortalecimento do progra- ma nacional de biocombustíveis, o estímulo ao consumo racional de energia e as ações de eficiência energética. “O primeiro pas- so é a transição energética. Quando você está falando em energia, é o que você pre- cisa para movimentar a indústria”, defende Thiago Falda, presidente da Associação Bra- sileira de Bioinovação (ABBI). Em relação ao mercado de carbono, a CNI propõe a adoção de ummercado basea- do no sistema cap and trade , no qual empre- sas com volume de emissões inferior ao au- torizado podem vender o excedente para as que lançam uma quantidade maior de gases de efeito estufa na atmosfera, o que estimu- lará investimentos em tecnologias limpas. No caso da economia circular, a indústria propõe a gestão estratégica dos recursos na- turais, ampliando práticas como ecodesign , ◀ “Mais de 95% de tudo o que a gente opera são transformados em matéria-prima”, diz Leandro Santos (Flex) 11 Revista Indústria Brasileira
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