Revista Indústria Brasileira

Diante do sucesso da metodologia desen- volvida no Brasil, a companhia está trans- ferindo esse conhecimento para fora, com o intuito de que as outras fábricas da Flex no mundo também se transformem em Zero Waste , explica Santos. Essa certificação, exi- gida para prestação de serviços a multina- cionais da Europa e dos Estados Unidos, garante que nada da produção da fábrica alimente aterros sanitários. “Desenvolve- mos uma metodologia e uma cadeia de for- necimento dentro e fora do Brasil e, assim, pudemos transformar operações que gera- vam resíduos em operações que não geram”, comemora Santos. As práticas sustentáveis de produção, no entanto, não vieram do dia para a noite. “Foram oito anos de investimento, capital humano, pesquisa e desenvolvimento. Na nossa operação no Brasil, temos 10 mil co- laboradores. Nossos investimentos têm sido constantes e consideráveis no treinamento de uma força de trabalho capaz de aliar tec- nologia, sustentabilidade, diversidade e in- clusão”, afirma Santos. Um dos pilares da estratégia da indústria brasileira para promover a transição para a economia de baixo carbono é a economia circular. Ela busca preservar e aprimorar o capital natural – controlando estoques e equilibrando os fluxos de recursos renová- veis – e otimizar o rendimento de recursos, fazendo circular produtos, componentes e materiais que possam ser reaproveitados. Os outros três pilares definidos pela Con- federação Nacional da Indústria (CNI) para promover essa transição são a regulamen- tação do mercado de carbono, a transição energética e a conservação da floresta. “A agenda de sustentabilidade é irrever- sível; hoje, qualquer negócio tem que estar conectado a essas orientações”, resume Pau- lo Teixeira, presidente da Associação Brasi- leira da Indústria de Plástico (Abiplast). Ele diz que, no caso do setor de plástico, produ- tos que não são reciclados de forma mecâni- ca podem ser reciclados de forma energéti- ca, isto é, pode-se gerar energia a partir de produtos que já foram retirados da natureza. Marcelo Thomé, presidente da Federa- ção das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO) e do Conselho Temático de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, afirma que as transformações que visam à econo- mia de baixo carbono podem abrir inúme- ras oportunidades para o Brasil, cujas carac- terísticas naturais proporcionam uma série de vantagens em relação a outros países. Ele Apenas de janeiro a 15 de agosto deste ano, a biomassa de cana evitou a emissão de 4,3 milhões de toneladas de CO2 em 2021 , o equivalente ao cultivo de 30 milhões de árvores nativas ao longo de 20 anos, segundo estimativa do setor. Desde 2012, a energia solar evitou a emissão de mais de 10,7 milhões de toneladas de CO2 . 10 Revista Indústria Brasileira ▶ outubro 2021 ▼ Capa

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