Revista Indústria Brasileira

manutenção, reúso, remanufatura e recicla- gem, ao longo de toda a cadeia de valor. A ampliação das áreas sob concessão florestal no país, o fortalecimento do ma- nejo florestal sustentável e o estímulo aos negócios voltados à bioeconomia são as diretrizes do pilar de conservação flores- tal, que inclui, ainda, uma ação mais efe- tiva de combate ao desmatamento ilegal e às queimadas, sobretudo na Amazônia. Jés- sica Dalmaso, vice-presidente da Associa- ção Brasileira de Empresas Concessionárias Florestais (Confloresta), afirma que, “ao in- centivar o uso econômico de atividades flo- restais, como o manejo florestal, inibe-se a conversão do uso do solo por atividades que necessitam do desmatamento, reduzindo as taxas de emissão”. NOVAS OPORTUNIDADES Marcelo Thomé, da FIERO, ressalta que os quatro pilares identificados no estudo da CNI apresentam diversas oportunidades de negócio para o setor industrial brasilei- ro. “Transição energética já é uma área que avança muito, não só pela diversificação da matriz, mas pela destinação econômica para resíduos industriais, nos casos de biomassa e biogás, por exemplo”, detalha. Em Ron- dônia, um projeto piloto estimula a produ- ção de biogás a partir de resíduos sólidos urbanos, incluindo substratos industriais. “Precisamos encontrar uma solução para os 772 municípios da Amazônia Legal que até hoje não têm uma destinação adequada para o lixo”, comenta. No projeto piloto, afirma ele, foi possí- vel identificar que tanto o setor de frigorí- ficos de carne quanto o de pescado têm po- tencial para fornecer insumos para o biogás. Um segundo projeto integra lavoura, pecuá- ria e floresta com foco na recuperação de áreas degradadas. “Somente em Rondônia, 70% das áreas de pastagem estão subutiliza- das ou degradadas, sendo que são um campo fértil para implantação de empreendimen- tos pecuários integrados”, conta Thomé. Se- gundo ele, é possível aumentar a produção pecuária apenas com a recuperação dessas áreas com novas tecnologias, processos e in- tegração de atividades. Jéssica Dalmaso, da Confloresta, avalia que, para ser bem-feita, a transição para uma economia de baixo carbono exige diá- logo e planejamento proativo entre traba- lhadores, empregadores, governantes, co- munidades e a sociedade civil. “A indústria, como um setor importante da economia, deve participar dessa articulação com o es- copo de acompanhar o processo, para que os custos e benefícios da ação climática se- jam distribuídos de forma equilibrada”, afir- ma. Segundo ela, é preciso apoio, proteção social e investimento para que as pessoas que atualmente dependem de atividades com uso intenso de combustíveis fósseis possam prosperar em um futuro no qual as emissões cheguem a zero. Jéssica diz que a indústria tem feito inú- meros avanços rumo à conservação flores- tal. Ela destaca que cerca de 30% de todas as florestas tropicais remanescentes do mundo estão localizadas na Amazônia. Lá, diz, exis- tem vastos estoques de madeira comercial e uma grande variedade de produtos florestais não madeireiros, como frutos, cipós e óleos, que sustentam diversas comunidades locais. ◀ “A agenda de sustentabilidade é irreversível. Hoje, qualquer negócio tem que estar conectado a essas orientações”, defende Paulo Teixeira (Abiplast) 12 Revista Indústria Brasileira ▶ outubro 2021 ▼ Capa

RkJQdWJsaXNoZXIy MjE3OTE0