INDÚSTRIA BRASILEIRA
ao profissional atuar em diferentes áreas, como o fazem os técnicos em segurança do trabalho ou em pesquisa e desenvolvimen- to e os profissionais da metrologia. Na avaliação de Maurício Affonso, dire- tor da Rockwell Automation, o Brasil ain- da está muito atrás em termos de produ- tividade, quando comparado com países desenvolvidos. Logo, diz ele, “existe um potencial enorme para melhorar a essên- cia da nossa produção e isso só acontece com a implementação de tecnologia, com mais máquinas, com processos mais efi- cientes e com softwares mais avançados”. “Para melhor utilizar as novas tecnologias, o ponto fundamental é que as empresas tenham um quadro qualificado de profis- sionais, mas esses profissionais ainda não existem”, argumenta. É PRECISO CORRER “O Brasil precisa correr para alcançar os países que já investem na qualificação dos seus profissionais. Essa deve ser a priori- dade número um”, defende Affonso. Segun- do ele, o SENAI tem experiência e conheci- mento para, em parceria com empresas de tecnologia, entregar conteúdo de qualida- de aos trabalhadores da indústria. “O SENAI sempre foi uma força muito importante para o desenvolvimento brasi- leiro. Sem ele, o Brasil não teria feito a re- volução industrial que fez na segunda me- tade do século passado. Hoje temos novos desafios, igualmente decisivos”, pontua Rafael Lucchesi. O Brasil tem perdido a sua estrutu- ra industrial ao longo das décadas, o que se reflete na redução do peso do setor no Produto Interno Bruto (PIB). “Em 1980, a atividade industrial brasileira represen- tava algo próximo a 50% do PIB brasileiro, enquanto hoje é de 22%. Nós perdemos muito, sobretudo nos setores de média e alta tecnologia”, detalha Lucchesi. Ele estima que, aproximadamente, quatro em cada cinco pessoas que o SE- NAI terá de requalificar são profissionais já empregados. Isso ocorre, segundo ele, porque as indústrias estão mudando seus processos produtivos. O outro quinto será formado por pessoas que ainda vão ingres- sar no mercado de trabalho. “Estamos diante de um cenário de bai- xo crescimento do PIB, de reformas estru- turais paradas, como a tributária, de elei- ções e de altos índices de desemprego e informalidade. O Mapa surge para que possamos entender as transformações do mercado de trabalho e incentivar pes- soas a buscarem qualificação onde have- rá emprego. A requalificação será recor- rente ao longo da trajetória profissional”, avalia Lucchesi. Affonso também chama atenção para o problema do desemprego no Brasil. Se- gundo ele, ao mesmo tempo em que mui- ta gente está sem ocupação formal, faltam pessoas qualificadas para determinados empregos, “inclusive na área de tecnolo- gia”. Apesar disso, diz Affonso, não faltam vagas para os profissionais que se capaci- tam, que têm uma formação diferencia- da e que entendem as novas tecnologias. “Na verdade, o emprego não acaba, ele se transforma. A pessoa que fazia o arado na mão passou a ter uma máquina para fa- zer isso por ela, começou a trabalhar na fabricação dessa máquina e aumentou a produtividade. É mais ou menos o que es- tamos vivendo hoje. As pessoas não estão qualificadas para uma determinada ativi- dade, para um mundo que está se trans- formando. Então, as pessoas também pre- cisam se transformar”, defende Affonso. 11 Revista Indústria Brasileira
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