INDÚSTRIA BRASILEIRA
MUDANÇA GLOBAL Ainda que possua características espe- cíficas no Brasil, a transformação no mer- cado de trabalho é uma tendência mun- dial. Till Leopold, líder de estudos em economias inclusivas do Fórum Econômi- co Mundial, afirma que o futuro do traba- lho já chegou. “A Covid-19 serviu como um acelerador significativo de trabalho remo- to, de digitalização e automação em mui- tos setores. Mais de 80% dos grandes em- pregadores em todo o mundo aceleraram o investimento em digitalização nos últi- mos dois anos, e mais de 50% investem em automação acelerada”, diz. “Estimamos que a tecnologia criará mais empregos do que os interrompe- rá nos próximos cinco anos. Esses novos empregos estão relacionados não apenas a áreas de alta tecnologia – como TI e enge- nharia –, mas também a setores como ven- das e marketing, economia verde e saúde e cuidados”, analisa Leopold. A preocupação, complementa o econo- mista, ocorre porque as habilidades neces- sárias aos empregos emergentes são, em geral, muito distintas dos requisitos de em- pregos que estão em declínio. “Como re- sultado, estimamos que cerca de 50% dos funcionários – metade da força de traba- lho global – precisarão de alguma forma de qualificação ou requalificação até 2025, para seguirem empregados de forma pro- dutiva em seu campo atual ou mudarem para um emprego melhor, em um área ou indústria diferente”, afirma Leopold. Segundo ele, o mundo precisará de “nada menos que uma revolução global de requalificação”. O economista argu- menta que há boas notícias nesse cená- rio de transformações. A primeira é que já se conhecem muitas das habilidades ne- cessárias para o sucesso no mercado de trabalho do futuro. “Isso inclui habilidades tecnológicas e digitais. Não estamos falando de conhe- cimentos técnicos muito pesados, como Inteligência Artificial (IA) ou programa- ção avançada, mas, sim, de uma familia- ridade básica e de um nível de conforto em trabalhar e adaptar-se às novas tecno- logias, que se tornarão cada vez mais im- portantes em uma vasta gama de empre- gos”, afirma Leopold. Por outro lado, acrescenta, também existe um conjunto-chave de habilidades relacionado a competências exclusiva- mente humanas – como criatividade, ino- vação e solução colaborativa de problemas –, coisas que máquinas e IA não podem fa- zer e que se tornarão mais importantes à medida que a tecnologia assumir tarefas ▶ “Os novos empregos estão relacionados a áreas de alta tecnologia e a setores como vendas e marketing, economia verde e saúde e cuidados”, diz o economista Till Leopold 12 Revista Indústria Brasileira ▶ maio 2022 ▼ Capa
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy MjE3OTE0