INDÚSTRIA BRASILEIRA
Rafael Lucchesi, diretor de Tecnologia e Educação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SE- NAI), avalia que não se trata de números muito elevados, na medida em que o país vive um momento de transformação da indústria. “É um período de um quadriê- nio, e a indústria brasileira – bem como a indústria do mundo inteiro – está pas- sando por toda uma transformação, cha- mada de manufatura avançada”, afirma Lucchesi. Essas mudanças são provoca- das, explica, pelo uso de novas tecnolo- gias e pelas modificações na cadeia pro- dutiva industrial. Segundo ele, a agenda de digitalização, com alterações profundas nos modelos de negócio e, também, no chão de fábrica, exige a requalificação de parte dos traba- lhadores que estão no mercado de traba- lho e a formação de novos profissionais, inclusive para atuar em áreas ainda não criadas. “Há um acirramento da competi- ção e isso leva as indústrias a fazer novos investimentos e adotar novos processos produtivos, o que vai alterar os requisitos de formação. É um fato”, comenta. As ocupações que serão criadas até 2025 requerem conhecimentos relaciona- dos não apenas à produção industrial, mas também ligados a outros setores da econo- mia. “Um técnico em segurança ciberné- tica, um analista de dados ou um técnico em automação industrial atuam em mais de um setor”, conclui Lucchesi. O gerente-executivo do Observató- rio Nacional da Indústria, Márcio Guerra Amorim, explica que o estudo é uma pro- jeção que considera o crescimento do em- prego, o contexto econômico e político e a dinâmica setorial. São levadas em conta, além das estimativas das taxas de difusão de novas tecnologias nas empresas, as mu- danças organizacionais nas cadeias produ- tivas – que orientam o cálculo da demanda por aperfeiçoamento – e a análise da tra- jetória ocupacional dos trabalhadores no mercado de trabalho formal, subsidiando o cálculo da formação inicial. As ocupações de nível técnico e supe- rior devem apresentar maior taxa de cres- cimento, devido às mudanças organizacio- nais e tecnológicas que fazem com que as empresas busquem profissionais de maior nível de formação, que saibam executar ta- refas e resolver problemas mais complexos. As áreas com maior demanda por forma- ção são as transversais, a metalmecânica, a de construção, a logística e de transpor- te e a de alimentos e bebidas. As ocupa- ções transversais são aquelas que permitem ▶ Para Rafael Lucchesi (CNI), sem o SENAI, o Brasil não teria feito a revolução industrial que fez na segunda metade do século passado 10 Revista Indústria Brasileira ▶ maio 2022 ▼ Capa
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