RIB - Outubro 2023

Nas últimas décadas, o Brasil passou por um intenso processo de desindustrialização. O que precisa ser feito para viabilizar a retomada do setor? Precisamos de uma política de desenvolvimento produtivo, com amplo apoio às indústrias, para que elas tenham condições de competir de igual pra igual com concorrentes de outros países e aproveitar as janelas de opor- tunidade abertas pela transformação digital e pela economia verde. As prin- cipais economias do mundo já estão fazendo isso, com a mobilização de re- cursos bilionários para redimensionar suas cadeias produtivas e aumentar a competitividade de suas empresas. A boa notícia é que o atual governo está empenhado em avançar nessa agenda. O fato de termos o vice-presi- dente da República, Geraldo Alckmin, à frente do Ministério do Desenvolvi- mento, Indústria, Comércio e Serviços é um bom indicativo nesse sentido. Que medidas o senhor considera prioritárias? É essencial agilizar a aprovação da reforma tributária. O texto aprovado na Câmara e que tramita no Senado traz importantes avanços. É preciso também que haja financiamentos de longo prazo, com taxas de juros bem mais baixas. A indústria precisaria de umPlano Safra, como o que subsidia a agropecuária. O Agro é pop, em parte, porque paga apenas 1,8% de impos- tos. Já a indústria paga 34%, a despeito de representar 24% do PIB. Além disso, é responsável por 69% das exportações de bens e serviços e contri- bui para a competitividade do agronegócio, uma vez que fornece insumos, máquinas e equipamentos com alta tecnologia para o setor. Outras prio- ridades são os acordos comerciais, com destaque para o Mercosul–União Europeia, e o aumento de investimentos em pesquisa, tecnologia e inova- ção. É inconcebível que o Brasil, décima potência mundial, ocupe apenas a 49ª posição no ranking global de inovação. ROBSON BRAGA DE ANDRADE 16

RkJQdWJsaXNoZXIy MjE3OTE0