RIB - Outubro 2023

“PRECISAMOS PENSAR O BRASIL A LONGO PRAZO” A pós 13 anos como presiden- te da CNI, o empresário Rob- son Braga de Andrade deixou o cargo no final de outubro, com uma longa folha de serviços prestados à in- dústria e ao país. Nessa entrevista ex- clusiva para a Revista da Indústria Brasileira , ele fala sobre os principais avanços da indústria no período. “Gra- ças à alta qualificação das equipes da CNI, contribuímos para a aprovação de diversos projetos que ajudaram a me- lhorar o ambiente de negócios no país. Além disso, conseguimos colocar a ino- vação no centro das estratégias das em- presas”, destaca. Ele ressalta, também, a rede de institutos e inovação e tecno- logia criada pelo SENAI e a moderniza- ção do sistema de ensino do SESI. “Te- nho a sensação do dever cumprido, mas sei que há ainda muito a fazer, sobre- tudo a implementação de uma política industrial que aumente a competitivi- dade do setor”, afirma. “Para isso, é es- sencial que nossas lideranças políticas e empresariais tenham visão de futuro e levemmais em conta os interesses da nação e da população”. Quais os principais desafios enfrentados pela indústria ao longo do período em que o senhor esteve à frente da presidência da CNI? O principal foi o inóspito ambiente de negócios, especial- mente a complexidade do sistema tributário e a insegu- rança jurídica. Além de afugentar investimentos, esses fatores impedem o fortalecimento da indústria, que pro- paga efeitos positivos sobre o restante da economia, cria mais empregos e paga mais impostos e melhores salários. Em função disso, o crescimento do Brasil se reduziu dras- ticamente nas últimas décadas. A título de comparação, nos anos de 1970, crescemos a uma média anual de 8,6%, índice 1,4 vezes maior do que amédia anual de crescimen- to da China. Nos últimos 10 anos, a situação se inverteu de forma expressiva. Nesse período, o PIB brasileiro cres- ceu a uma média anual de apenas 0,5%, índice 12 vezes menor do que o crescimento de 6,2% da China. Para de- senvolver de forma sustentável, precisaríamos crescer a uma média de, pelo menos, 4% ao ano. Eis um exemplo concreto de como ficamos para trás: hoje, o Brasil produz as mesmas 40 milhões de toneladas de aço que produzia na década de 1970. A China, por sua vez, aumentou sua produção anual de 20 milhões para 800 milhões de tone- ladas. O fabuloso crescimento chinês se deveu aos maci- ços investimentos que o país fez em tecnologia, inovação e educação, incluindo a formação de engenheiros e téc- nicos, fundamentais para o desenvolvimento industrial. 15 Revista da Indústria Brasileira #082

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