Revista da Confederação Nacional da Indústria
em 2017, o escritório deve funcionar como ponto de contato com o secretariado da OCDE, bem como ponto de apoio a even- tos e missões a serem realizados no Brasil. Diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Eduardo Abijaodi acredita que a importância da criação de uma represen- tação da OCDE no país vai muito além da formalidade. “Quando instalado, esse escri- tório irá permitir que muitas análises quali- tativas dos trabalhos e estudos da organiza- ção sejam acompanhadas mais de perto, o que irá contribuir para a negociação de plei- tos importantes para a indústria brasileira”. LONGA JORNADA Apesar da expectativa de que a carta- -convite chegue em 2021, isso não signifi- ca que o Brasil será efetivado já no próxi- mo ano. Até que isso ocorra, há uma série de requisitos a serem cumpridos. “A partir dessa formalização, colocaremos em prá- tica um roteiro de trabalho para a acessão, a ser aprovado por consenso por todos os membros da organização”, explica o secre- tário especial da Serex. Já tendo aderido a 93 dos 245 instru- mentos legais da OCDE, e com outros 50 instrumentos em análise, o Brasil é, entre os candidatos atuais, o que tem maior ade- rência aos requisitos. Contudo, o proces- so de acessão não possui prazo determi- nado para ser concluído. “A Colômbia, por exemplo, terminou seu processo de aces- são recentemente e este durou sete anos. Outros países concluem em menos tempo. O Brasil está preparado para acelerar, ao máximo possível, o seu processo”, afirma Marcelo Barros Gomes. O diretor da CNI também acredita que 2021 será um ano de avanços significati- vos no que se refere à entrada do país na OCDE. “Pelas manifestações recebidas de países-membros a favor da entrada do Brasil, consideramos que podemos con- tar com a aprovação da grande maioria dos membros. Em junho haverá a posse de um novo secretário-geral na OCDE e, durante o próximo semestre, deverá haver um avanço nos debates sobre a entrada de novos membros, o que nos permite supor que poderá haver uma concretização des- se pleito ainda em 2021”, analisa Abijaodi. Para o professor de Relações Interna- cionais da Universidade de Brasília (UnB) Antônio Jorge Ramalho, a entrada do Bra- sil na OCDE resultará de um longo pro- cesso de redefinição de políticas públicas. Também dependerá do aprimoramento das condições de segurança jurídica, do aperfeiçoamento do ambiente de negócios e do estabelecimento de uma dinâmica clara e sustentável na gestão econômica, em especial no que concerne ao equilíbrio fiscal. “O ingresso na OCDE deve ser visto como consequência da implementação de boas políticas públicas, mais do que como um objetivo a ser perseguido”. A entrada do Brasil na organização tra- rá melhorias, como uma gestão mais in- teligente das políticas públicas. “O país passa a receber informação mais qualifi- cada sobre boas práticas, assim como so- bre erros cometidos por outros membros da organização e que poderão ser evita- dos aqui. Passa a contar, por assim dizer, com uma espécie de consultoria, no mar- co de um ambiente de diálogo qualifica- do, o que facilita a definição de políticas públicas mais eficazes, efetivas e eficien- tes”, resume o professor da UnB. No âmbito da indústria, os desdobra- mentos serão diversos. “A adesão permiti- rá, por exemplo, que o Brasil tenha partici- pação ativa nas discussões estratégicas da organização, o que dará maior visibilidade 20 Revista Indústria Brasileira ▶ dezembro 2020 ▼ Capa
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