Revista da Confederação Nacional da Indústria

mercados e limita os ganhos resultantes do aumento do apetite dos investidores pelo ris- co. “Sem uma solução para o impasse fiscal, as condições financeiras continuarão aper- tadas, prejudicando a recuperação da eco- nomia brasileira em 2021. Além disso, um cenário de maior incerteza fiscal pode tor- nar os choques inflacionários de curto pra- zo mais permanentes”, explicam os econo- mistas Armando Castelar Pinheiro e Silvia Matos na apresentação do Boletim Macro . MEDIDAS EMERGENCIAIS O ajuste das contas públicas também foi o foco do painel Perspectivas para a Econo- mia Brasileira , realizado em 18 de novem- bro, primeiro dia do Encontro Nacional da Indústria (ENAI), com participação da eco- nomista-chefe do Santander, Ana Paula Vescovi, e do economista Eduardo Gianet- ti. Na avaliação deles, as medidas emergen- ciais adotadas pelo governo para o enfren- tamento da pandemia foram importantes para reduzir os impactos negativos na eco- nomia, mas não podem se perpetuar sem conter outras despesas dentro do teto de gastos. Segundo Giannetti, a questão do ajuste das contas públicas é fundamental, ainda mais porque há muitas incertezas em rela- ção à dinâmica da pandemia, ao momento em que sairá a vacina para combater o co- ronavírus e ao comportamento de consumi- dores e investidores. “Precisamos recuperar a confiança na economia brasileira; preci- samos dessa ancoragem fiscal, por meio de reforma administrativa, privatizações e con- cessões e manutenção de taxa de juros bai- xa”, destacou o economista. Vescovi acrescentou que outro ponto prioritário é a retomada das discussões so- bre a reforma tributária para tornar o am- biente mais favorável aos negócios. Para ela, não é necessário aumentar a carga tri- butária se a sociedade desejar um Estado menor. “Trazer eficiência nesse campo, onde temos ineficiência, poderá trazer au- mento da arrecadação via uma economia mais pujante”, disse. Fonte: BoletimMacro FGV-IBRE, novembro/2020. PORQUE OS CONSUMIDORES SE RETRAÍRAM? Fatores que levaram ao adiamento do consumo de bens e serviços (em%) Incerteza com relação à pandemia da Covid-19 Poupando por precaução Medo de desemprego Dificuldade de obter emprego Fim das reservas de poupança Perda de renda com o fim dos benefícios Não tenho conseguido pagar meus gastos correntes Outros 53,3% 31,5% 20,2% 12,0% 11,0% 7,5% 9,2% 8,3% 12 Revista Indústria Brasileira ▶ dezembro 2020 ▼ Capa

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