Revista da Confederação Nacional da Indústria
sendo discutido pelo presidente Jair Bolso- naro com sua base de apoio no Congresso Nacional. “Era para ser uma medida emer- gencial exclusivamente para preservar a renda das famílias mais suscetíveis aos im- pactos econômicos das medidas de isola- mento social e que agora está vindo com uma nova roupagem, na qual o governo ten- ta viabilizar isso de forma contínua. Há um risco fiscal de como fazer isso e, ao mesmo tempo, manter o processo de ajuste fiscal gradual dos últimos anos”, pondera a eco- nomista do IBRE. Para o presidente da Confederação Na- cional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, “em 2021 temos que criar con- dições para um crescimento sustentado”. Isso implica, segundo ele, “tomar medidas urgentes”. “As prioridades devem ser apro- var as reformas tributária e administrativa e cumprir o teto de gastos públicos para viabilizar o equilíbrio fiscal”, aponta An- drade. O presidente da CNI ressalta, tam- bém, que há outras medidas importantes na agenda legislativa, como o projeto que proíbe o contingenciamento dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), princi- pal fonte de fomento à inovação, e a Nova Lei do Gás. Ambos os projetos já estão em estágio avançado de tramitação no Con- gresso Nacional. No Boletim Macro de novembro, o IBRE estima que 2020 deve fechar o quarto tri- mestre com desaceleração do ritmo de crescimento. “A redução do valor do au- xílio emergencial, a antecipação, para o segundo trimestre, do pagamento do 13º de aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional de Seguro Social), to- talizando R$ 47 bilhões, e a recuperação lenta do mercado de trabalho são as prin- cipais forças por trás dessa desacelera- ção”, detalha o documento. Em termos de perspectivas para 2021, o que preocupa mais é a paralisia na agenda de reformas estruturais e as declarações sobre uma possível extensão de estímulos fiscais no ano que vem, avalia o IBRE. Conforme o boletim, esse quadro de paralisia e pouca preocupação com a de- terioração do quadro fiscal prejudica os ESTIMATIVASMAIS EMENOS OTIMISTAS PARAOPIB EM2021 ITAÚ-UNIBANCO BRADESCO FGV IBRE MINISTÉRIO DA ECONOMIA/SPE TENDÊNCIAS CONSULTORIA FMI MB ASSOCIADOS 2,2% 2,8% 3,0% 3,2% 3,5% 3,5% 4,0% Fontes: Ministério da Economia, MB Associados, Tendências, FGV, FMI, Itaú-Unibanco, Bradesco e FMI 11 Revista Indústria Brasileira
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