Revista Indústria Brasileira - Julho/22
Um dos parceiros que pode ajudar a dar um salto tecnológico é a Empresa Brasilei- ra de Pesquisa e Inovação Industrial (EM- BRAPII). Ela capta recursos junto aos minis- térios e custeia parte das pesquisas que a indústria precisa fazer. “Tradicionalmente, oferecemos financiamentos de até 30% do projeto de pesquisa”, afirmou o coordena- dor de planejamento e relações institucio- nais da instituição, Luciano de Souza. Contudo, os próximos passos deman- dam expansão das margens. A empresa reservou R$ 40 milhões para o desenvolvi- mento de novas rotas tecnológicas em te- mas estratégicos para o setor, na modali- dade de fomento Basic Funding Alliance (BFA). A ideia é promover a inovação aber- ta, com alianças entre empresas, startups e unidades EMBRAPII no desenvolvimento de “tecnologias de fronteira”. Nesses casos, por haver grandes riscos tecnológicos, os aportes financeiros podem ser significati- vamente maiores, chegando a 90%. Para Luciano, uma das limitações do Rota 2030 é a necessidade da revisão de pla- nejamento a cada cinco anos. “Grande parte dos projetos dessa primeira fase foi incre- mental. Com mais tempo, teremos oportu- nidade de desenvolver projetos mais estru- turantes, transversais, com maior impacto no setor como um todo”, sugeriu Luciano. TRAMITAÇÃO Para o início da próxima fase do Rota 2030 , é necessária a edição de uma Medida Provisória (MP) pelo presidente da Repúbli- ca e sua aprovação no Congresso Nacional para que a iniciativa se torne lei. “Queremos fechar todas as questões pen- dentes para que a MP seja votada ao longo do segundo semestre e o programa esteja em vigor no início de 2023”, afirmou o dire- tor técnico da Anfavea, Henry Joseph Júnior. Henry lembra que o programa envolve não apenas montadoras, mas também fa- bricantes de peças, universidades e insti- tutos de pesquisa. Essa colaboração per- mite avanços na indústria em um cenário no qual os consumidores exigem, cada vez mais, veículos sustentáveis e eficientes. Para Jefferson Gomes, o Rota 2030 tem uma boa concepção de renúncia fiscal, cujo percentual varia de 2% a 18% sobre o produto importado, para investir em ciên- cia e tecnologia. “Com isso, conseguimos um montante de R$ 1 bilhão em pesquisas tecnológicas”, diz Jefferson. “Estamos falando de uma ca- deia extensa de desenvolvimento regional, que envolve pessoas, serviços e impacta di- versas outras indústrias”, complementa. ■ ◀ Luciano de Souza (EMBRAPII) defende isenção fiscal para manutenção do investimento em inovação 29 Revista Indústria Brasileira
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