Revista Indústria Brasileira - Dezembro
Isso mudou e a necessidade de armazena- mento tornou-se maior. Haverá uma reorga- nização natural do processo”, diz Bussinger. Ele aponta outro problema que dificulta o cenário do Brasil. “O país não tem arma- dores, grandes empresas de navegação. Essa escassez, somada às características de nos- sa pauta exportadora e à necessidade de im- portação de produtos manufaturados, como eletroeletrônicos, sobretudo da Ásia, torna nossa operação ainda mais cara”, acrescen- ta o especialista em logística. A China tornou-se o epicentro do desba- lanceamento entre oferta e demanda, fa- zendo com que houvesse um acúmulo de produtos nos portos, escassez de contêine- res vazios e filas enormes de navios à espe- ra de espaço para atracação. O Brasil tam- bém deve ser impactado pela necessidade de recomposição dos estoques europeu e americano para o fim do ano, o que pres- sionaria ainda mais os preços do frete ma- rítimo. Além disso, o equilíbrio global está sendo impactado pelo aumento maciço do e-commerce , uma realidade que impul- sionou vendas, alavancou o comércio e foi potencializada exponencialmente durante a pandemia da Covid-19. “Logística não trata de transportes, e sim de fluxo: de cargas, pessoas, informação e dinheiro. Aumentamos os investimentos e apostamos na inteligência artificial, que tem alterado o ritmo de produção e comercia- lização. Precisamos atentar para a questão de cargas e a de pessoas, os principais gar- galos desta retomada”, prossegue Bussinger. A diretora da Agência Nacional de Trans- portes Aquaviários (Antaq), Flávia Takafashi, concorda que a ausência de contêineres está atrelada ao aumento no ritmo comercial, e não a uma falta do produto no mercado. Da- dos da agência mostram que houve, em se- tembro deste ano, um aumento médio de 15% no movimento de contêineres nos por- tos brasileiros, se comparado ao mesmo mês de 2020. Estabelecendo-se um recorte de im- portações, o aumento foi de 24,2% e, no caso das exportações, de 8,3%. “Como a demanda está muito maior do que a oferta, há um aumento na sobre-esta- dia (tempo em que os produtos demoram no porto) e nas dificuldades para o embarque de mercadorias”, explica Flávia. Segundo ela, a Antaq está atenta, mantendo o diálo- go com os exportadores e os armadores, em busca de soluções que diminuam os prejuí- zos de lado a lado. “São tempos difíceis, pois a situação ainda vai levar um tempo para ser normalizada”, diz a diretora. Representante de outro player impor- tante dessa equação, o presidente da Asso- ciação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Jesualdo Silva, lembra que a deman- da reprimida por consumo deriva do fato de que, durante a pandemia, as pessoas fo- ram forçadas a economizar. Ele menciona, por exemplo, um estudo da consultoria fi- nanceira Moody's que estimou que, ao longo de 2020, quando os lockdowns e o isolamen- to social foram rígidos, as pessoas ao redor do mundo conseguiram economizar mais de US$ 5,4 trilhões. Com a indústria de serviços paralisada, o foco passou a ser a aquisição digital de bens, em um surto de demanda que sur- preendeu importadores, prestadores de ▶ “São tempos difíceis, e acreditamos que a situação vai levar um tempo para ser normalizada”, diz Flávia Takafashi (Antaq) 28 Revista Indústria Brasileira ▶ dezembro 2021 ▼ Competitividade
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy MjE3OTE0