Revista Indústria Brasileira - Dezembro

Contêineres cinco vezes mais caros PREÇO MÉDIO DO CONTÊINER SOBE DE US$ 2 MIL PARA US$ 10 MIL, NAVIOS FAZEM FILA NOS PORTOS MUNDIAIS E BRASIL SOFRE MAIS POR ESTAR DISTANTE DAS PRINCIPAIS ROTAS DE COMÉRCIO Apesar de ser motivo de comemoração após o lockdown severo da temporada 2020-2021, a retomada da atividade econômica também escancarou problemas que ficaram amortecidos no período de mais restrições causadas pela pandemia. Um dos desequilíbrios foi a ex- plosão do preço dos contêineres utilizados no frete marítimo, que aumentou cinco vezes em relação aos anos anteriores. Somado às características geográficas e comerciais brasileiras, esse cenário impactou dramaticamente os exportadores. O Brasil responde apenas por 1% do comércio mundial regular de contêineres, devido à sua localização. As principais rotas – mais baratas e mais movimentadas – encontram-se no hemisfério norte. Além disso, as características da balança comercial brasileira, que envolve mais exportação de commodities do que de produtos manu- faturados, desequilibram ainda mais as contas. “No caso das com- modities, os navios ainda podem atracar e encher, sem a necessi- dade dos contêineres. Já com os produtos manufaturados, só vale a pena a embarcação vir até aqui se tiver volume de produção sufi- ciente que remunere a viagem de ida e volta do navio. Caso contrá- rio, a operação torna-se inviável”, afirma o presidente da Associa- ção de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Com isso, o preço do contêiner, que era de US$ 1,8 mil a US$ 2 mil por unidade antes da pandemia, pulou para US$ 10 mil a US$ 12 mil. Recentemente, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) fez uma consulta com 128 empresas e associações industriais. O re- sultado mostrou que mais de 70% dos entrevistados sofreram com a falta de contêineres ou de navios e mais da metade foi obrigada a cancelar ou suspender as atividades. A pesquisa também apontou que 96% das empresas perceberam um aumento no valor do frete de importação e 76% no das exportações. O engenheiro, economista, consultor e especialista em logística Frederico Bussinger considera impróprio o termo “crise dos contêi- neres”. Não por acreditar que o problema não exista, mas por achar que ele é um sintoma, “uma febre”, de um processo maior de rear- ranjo das cadeias produtivas globais. “O ciclo de produção global era muito baseado na operação just in time , o mundo estava pouco acostumado a fazer estoques e a produção saía direto para a venda. 27 Revista Indústria Brasileira

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