Revista Indústria - Junho/22
Mais emprego para mais gente CNI PROPÕE REQUALIFICAÇÃO DE TRABALHADORES E PEDE ATENÇÃO AOS MAIS JOVENS Apesar da melhora recente no índice de de- semprego, o Brasil ainda convive com uma taxa de desocupação na casa dos dois dí- gitos: uma das maiores entre os países do G20. Pensando nisso, a Confederação Na- cional da Indústria (CNI) preparou o docu- mento Políticas de emprego: reunir trabalha- dores e empresas , com propostas concretas para mudar esse quadro. Entre as principais recomendações estão a reformulação do Sistema de Intermedia- ção de Mão de Obras (Sine) e a requalifica- ção de trabalhadores desempregados, a fim de que eles voltem a ter oportunidades. Será preciso, segundo a CNI, fazer com que o sis- tema público de intermediação de mão de obra esteja mais articulado com políticas de apoio à renda, com estratégias de combate ao desemprego e com dados compartilhados com outras instituições e agências voltadas à inserção dos trabalhadores no mercado. “Toda essa política [de emprego] deve es- tar articulada com programas estruturados de requalificação de trabalhadores. É pre- ciso, ainda, avançar em programas de for- mação especificamente dirigidos a jovens que não ingressaram no mercado de traba- lho, inclusive àqueles que já saíram do en- sino médio, os chamados ‘nem/nem’”, diz o presidente do Conselho de Relações do Tra- balho da CNI, Alexandre Furlan. A emergência da situação é expressa em números. Em 2021, o país chegou ao patamar de 14,7% de desocupação, enquan- to os últimos resultados de 2022 mostram que a taxa caiu para 10,5%, mas que ainda há cerca de 12 milhões de desempregados. Entre 89 milhões de pessoas que estão em- pregadas, há 7,7 milhões subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas. Além disso, há um grupo de 5,4 milhões de pes- soas disponíveis para o trabalho, mas que não procuram vagas por acreditar que não têm chances de encontrar uma em que se- jam aceitas ou por não terem interesse nas vagas disponíveis. Para o economista-chefe da Genial In- vestimentos, José Márcio Camargo, medi- das estruturais como as apresentadas pela CNI melhoram a produtividade das em- presas. “Trabalhadores mais bem forma- dos produzem mais. Com isso, aumenta-se o consumo e temos ciclos de crescimen- to econômico que trazem, como conse- quência, a criação de novos postos de trabalho”, explica. Ele destaca, ainda, os efeitos da refor- ma trabalhista e a criação do novo ensino médio como ações positivas para o merca- do de trabalho. “A diminuição das ações tra- balhistas deixou as empresas com mais re- cursos para investir e contratar”, comemora. Já o novo ensino médio, segundo Camargo, lança esperanças para o futuro, graças ao perfil voltado, em alguns casos, para o en- sino profissional. ■ 43 Revista Indústria Brasileira
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