Revista Indústria - Junho/22

Para a Confederação Nacional da Indús- tria (CNI), a consolidação de uma econo- mia de baixo carbono que seja dinâmica e próspera deve se basear em quatro pilares: transição energética, precificação de car- bono, economia circular e conservação das florestas. Essas propostas estão no estudo A Economia de Baixo Carbono: para um Fu- turo Sustentável . De acordo com o gerente-executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, é essencial acelerar o rit- mo dos aprimoramentos regulatórios e es- truturais para fortalecer a indústria nacio- nal e, claro, atrair investidores. “A gente tem vários desafios a serem enfrentados, como a questão do Custo Brasil e da segurança jurí- dica, que são determinantes para que o in- vestidor atue no país com foco nas agendas internacionais, como a produção de energia eólica offshore , de hidrogênio verde e de hi- drogênio azul”, afirma. Entre as recomendações da indústria es- tão: a consolidação do mercado de carbono regulado, no modelo de Sistema de Comér- cio de Emissões (SCE); o fortalecimento da política nacional de biocombustíveis; a pro- moção de incentivos adequados para tor- nar o consumo energético mais eficiente; a implementação de parques para geração de energia eólica em alto-mar ( offshore ); e a regulamentação do mercado de hidrogê- nio. O objetivo é impulsionar a economia de baixo carbono e, assim, atingir as metas do Acordo de Paris. Outro pilar importante é o da economia circular. Pesquisa realizada em 2019 pela CNI revelou que 77% das empresas desen- volvem alguma iniciativa sobre o tema. Esse é um dos principais caminhos para a conso- lidação de uma economia de baixo carbono. No entanto, na contramão do que vem sendo feito em diversos países, o Brasil ainda não estruturou estratégias nacionais nesse sen- tido. O setor industrial acredita que é pre- ciso incluir requisitos de sustentabilidade no processo de compras públicas, instituir uma política nacional de gestão estratégica dos recursos naturais, pavimentar a transi- ção para a economia circular e implemen- tar medidas que favoreçam o sistema de lo- gística reversa de resíduos. LICENCIAMENTO AMBIENTAL No estudo Licenciamento ambiental: desen- volvimento com conservação , a indústria de- fende que as regras do licenciamento, em vigor há 40 anos, sejam modernizadas para torná-lo mais ágil, previsível e eficiente, con- ciliando a proteção ao meio ambiente com o estímulo à atividade produtiva. Sem regulamentação mesmo após qua- tro décadas, o licenciamento ambiental no Brasil impõe barreiras que vão além da bu- rocracia e dos gastos elevados devido à im- previsibilidade e à falta de clareza sobre as exigências a serem cumpridas pelo se- tor privado. As etapas do licenciamento são ▶ “Existem cerca de 27 mil normas de licenciamento ambiental no Brasil”, diz Davi Bomtempo (CNI) 38 Revista Indústria Brasileira ▶ junho 2022 ▼ Edição Especial

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