Revista Indústria - Junho/22

▶ “A competitividade da indústria brasileira tem sido comprometida pelo elevado custo dos insumos energéticos”, avalia Wagner Cardoso (CNI) Energia para o Brasil PAÍS PAGA MAIS POR ENERGIA QUE NAÇÕES CONCORRENTES, UMA CONTA QUE AFETA ESPECIALMENTE AS INDÚSTRIAS DE PEQUENO E MÉDIO PORTES A indústria nacional paga uma conta de energia mais cara que seis dos sete princi- pais exportadores para o Brasil, segundo le- vantamento feito pela Confederação Nacio- nal da Indústria (CNI). O valor das tarifas brasileiras é menor apenas que o da Itália, ficando à frente de Japão, Alemanha, Fran- ça, China, Coreia do Sul e Estados Unidos, onde o preço é 58% inferior ao do mercado regulado brasileiro. Os dados fazem parte do estudo Energia: combustível do crescimento . O gerente-executivo de Infraestrutura da CNI, Wagner Cardoso, afirma que a indús- tria é o setor da economia mais sensível ao preço da energia. “A competitividade da in- dústria brasileira tem sido comprometida pelo elevado custo dos insumos energéticos. A comparação dos preços com os pratica- dos nos países concorrentes mostra que os custos do gás natural e da energia elétrica no mercado regulado estão muito elevados”, pontua. “Está claro que as indústrias de me- nor porte no país, que compram energia no mercado cativo, apresentam o maior proble- ma de competitividade. Esse cenário precisa ser revertido”, acrescenta Cardoso. No Brasil, os grandes consumidores in- dustriais migraram para o Ambiente de Contratação Livre (ACL) de energia elétrica, em busca de preços menores. No entanto, a grande maioria das indústrias – que são as de pequeno e médio portes – continua no mercado regulado, no qual a tarifa é mais cara. Segundo os dados, o mercado livre tem preços 62%mais baratos, emmédia, que os do mercado regulado brasileiro. Para efeito de comparação, em 2019, en- quanto quem comprou energia elétrica no mercado regulado pagou a segunda tarifa mais elevada entre os países analisados, a indústria de grande porte que comprou ele- tricidade no mercado livre brasileiro pagou a segunda tarifa mais baixa. O custo da energia “escondido” no valor dos produtos brasileiros pesa até três vezes mais para as famílias do que seus gastos di- retos com conta de luz e combustíveis. “Re- tomar o potencial competitivo e renovável da energia é a melhor alternativa para o país, o que vai gerar aumento da renda das fa- mílias, redução da inflação e promoção do investimento e do emprego”, afirma Paulo Pedrosa, presidente da Associação Brasilei- ra de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (ABRACE). O estudo da CNI aponta, ainda, que uma das principais razões para a discrepância dos preços finais da energia elétrica é a car- ga tributária. Os encargos e as taxas seto- riais incorporadas à conta de luz têm impac- to anual de R$ 34 bilhões. ■ 22 Revista Indústria Brasileira ▶ junho 2022 ▼ Edição Especial

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