Revista Indústria - Junho/22
Há mais de duas décadas, no simbólico ano 2000, o Brasil investia 1% de seu Produto In- terno Bruto (PIB) em atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D), enquanto a Coreia do Sul aportava 2% e a China, menos de 1%. Em 2019, o Brasil continuava investindo 1%, mas na China o percentual foi de 2,5% e na Coreia do Sul superou os 4,5%. “Os países da OCDE investem acima de 2% do PIB em P&D. Israel, por exemplo, empre- ga quase 5%. Toda a sociedade, o governo, o setor empresarial e a academia devem prio- rizar as aplicações em pesquisa e desenvol- vimento para que essa área seja, de fato, o grande vetor para impulsionar o crescimen- to do país”, afirma Gianna Sagazio, diretora de Inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para vencer os desafios impostos pelas novas tecnologias e reduzir o atraso nessa área, o Brasil precisará intensificar a mo- dernização da indústria, assim como acele- rar o desenvolvimento da infraestrutura. Um dos caminhos que a Confederação defende é o aprimoramento da Lei do Bem e a aplica- ção integral dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológi- co (FNDCT), maior fonte de financiamento à ciência, tecnologia e inovação (CT&I) do país. Também é necessário garantir recursos para projetos relevantes, estimulando parce- rias público-privadas, e formar profissionais alinhados às novas tendências tecnológicas, às exigências de mercado e aos desafios da nova realidade da indústria 4.0, segundo o documento Inovação: motor do crescimento , entregue aos candidatos à Presidência. Além disso, diz o estudo, é preciso pro- mover a inclusão social e a sustentabilida- de, que exercem papéis importantes como motores para a inovação. Segundo Gianna, organizações que valorizam a diversidade e a inclusão social podem multiplicar o po- tencial de inovação e crescimento, o que não tem acontecido quando são analisadas as po- sições do país em rankings internacionais. Em 2011, o Brasil ocupava a 47ª posição na classificação do Global Innovation Index , índice que mede a capacidade e sucesso em inovação. Caiu para a 70ª em 2015 e, em 2021, subiu para a 57ª posição. “O Brasil é, hoje, a 13ª maior economia do mundo e, por isso, deveria estar, no mí- nimo, entre os 20 países mais inovadores. Existe uma correlação entre a capacidade de um país ser inovador com desenvolvi- mento, crescimento, geração de empregos e qualidade de vida para a população” fina- liza Gianna Sagazio. ■ ◀ Gianna Sagazio, diretora de Inovação da CNI, afirma que existe correlação entre a capacidade de um país de ser inovador e a qualidade de vida para a população 21 Revista Indústria Brasileira
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