Revista Indústria Brasileira
11 Revista Indústria Brasileira unidades de moagem. A tecnologia também pode auxiliar o grupo a localizar incêndios em suas áreas agrícolas e apoiar atividades que requerem processamento de dados e imagens em alta velocidade, além de an- tecipar a necessidade de manutenção de equipamentos, evitando que as operações tenham de ser paralisadas. Walter Maccheroni, gestor de Inovação da São Martinho, explica que estão sendo realizados testes no parque industrial e no parque agrícola da usina em Pradópolis-SP. Essa unidade possui 52 colhedoras, 282 ca- minhões e 241 tratores, em 7.500 km de es- tradas, onde os veículos podem rodar mais de 87 mil km ao dia. Como a colheita tam- bém é realizada de madrugada, se um cami- nhão que transporta cana erra o caminho, pode perder cerca de três horas até encon- trar a rota correta. A instalação de uma rede privativa, conectando os caminhões às rotas dentro da fazenda, pode evitar isso. “A tecnologia 5G pode ser disruptiva em vários aspectos e possui algumas vantagens frente à tecnologia 4G”, explica Macchero- ni. “Dentre essas vantagens estão a baixa la- tência e a maior largura de banda que con- ferem ao 5G uma velocidade de transmissão de dados bem maior”, diz. Segundo ele, es- sas características são fundamentais para que seja possível, um dia, operar veículos autônomos em usinas, além de monitorar máquinas e dispositivos de forma confiável no ambiente agroindustrial. “No caso de um trator autônomo, loca- lizado a dezenas de quilômetros de distân- cia do nosso Centro de Operações Agrícolas, é fundamental que um comando de frena- gem desse trator seja resposta imediata ao estímulo de um sensor, ou seja, que o veí- culo responda a um comando quase ins- tantaneamente”, diz Maccheroni. Segundo ele, a tecnologia 5G abre um leque de novas oportunidades para a indústria brasileira. “Esse leque é formado por outras tecnolo- gias que estão sendo desenvolvidas no mun- do e que precisam das vantagens do 5G para funcionar”. Outra expectativa em relação ao 5G, afir- ma o diretor da São Martinho, é que ele ace- lere a implantação de tecnologias 4.0 em todos os setores da sociedade. “Estamos fa- lando de saúde, com cirurgias por vídeo, da criação de cidades inteligentes e, obviamen- te, da indústria 4.0 e da agricultura 4.0”, enu- mera. A alta capacidade de transferência de dados, segundo ele, poderá otimizar proces- sos produtivos, reduzindo desperdícios de recursos financeiros e naturais. Com a me- lhora de operações logísticas, existe tam- bém grande expectativa de que haja redu- ções na emissão de gases do efeito estufa. Walter Maccheroni acredita que o uso de dados para prever comportamentos de máquinas e humanos será intensificado, e o setor produtivo poderá acelerar a auto- mação de seus processos em outra escala por meio de uso intensivo da Inteligência Artificial (IA). O conjunto de novas tec- nologias, explica, trará grandes avanços a questões de saúde e segurança ocupa- cionais, reduzindo riscos inerentes às ati- vidades industriais e agrícolas, por exem- plo. “Ambientes e setores que dependam de conexões robustas, confiáveis ou mas- sivas serão aqueles que terão o maior im- pacto positivo ao implementar o 5G”, es- tima Maccheroni. ◀ Edvaldo Santos, diretor de Inovação da Ericsson, diz que uma das principais vantagens do 5G é incentivar o uso de robôs em linhas de produção operando sem cabos e acelerar a melhora no desempenho das novas gerações de robôs
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