Revista Indústria Brasileira - Fevereiro 2022

em inovação e uma consciência maior de sua importância. “É a hora de criarmos e divulgarmos ins- trumentos de apoio, via Mobilização Em- presarial pela Inovação (MEI) e CNI, como o programa de imersão em ecossistemas de inovação, assim como é hora de fazer pressão sobre os três Poderes para avançar- mos emmecanismos que deles dependam”, propõe. Em relação às empresas, Piva espe- ra que a melhoria de resultados proporcio- ne investimento em inovação. “Creio que é o melhor investimento que pode ser fei- to. A economia não se recupera sustenta- damente sem muita incorporação de tec- nologia e inserção de espírito inovador na consciência coletiva da iniciativa pública e privada”, diz. Segundo ele, isso demanda recursos hu- manos e financeiros e exige compromissos com a alocação inteligente de investimentos na área de PD&I. “O país e suas empresas precisam ter clara essa urgência, cujo re- torno é certo. O investimento em inovação é fundamental”, finaliza Piva, um dos in- tegrantes da MEI. Embora preveja uma retomada dos inves- timentos em inovação, Pedro Wongtscho- wski, do conselho de administração da Ul- trapar e integrante da MEI, chama atenção para outro fator que vai afetar a decisão das empresas em 2022: “A insegurança advin- da de ser um ano eleitoral e da ação muito errática do governo federal na área da eco- nomia, que gera instabilidade, precaução e uma certa retração de investimentos”. Se- gundo ele, o efeito da pandemia foi muito irregular sobre empresas industriais, já que algumas melhoraram seus resultados e ou- tras enfrentaram dificuldades. ADAPTAÇÃO NA PANDEMIA Para Wongtschowski, empresas que investiram em inovação conseguiram en- frentar melhor os desafios da pandemia. “Para você transformar toda uma organi- zação que trabalhava de forma presen- cial e passou a trabalhar de forma virtual, você precisa de um arcabouço tecnológico que grande parte das empresas não pos- suía. Quem teve saiu na frente e se adap- tou com muito mais rapidez e sem perda de eficiência”, explica. “Vi muitas empre- sas dos dois jeitos: as que rapidamente se adaptaram, porque essa infraestrutura já estava lá, e outras que tiveram de impro- visar, de fazer tudo do zero, o que levou muito mais tempo”, complementa. Assim, diz Wongtschowski, quem adap- ta rapidamente o seu modelo de produ- ção ao insumo diferente, fora do tradicio- nal, ganha, ocupando espaços de mercado de maneira mais efetiva. “Ter uma empre- sa com a cabeça inovadora – capaz de alte- rar processos rapidamente – representou um grande ganho quando essa competência foi demandada, como no começo da pande- mia”, argumenta ele. ▶ “O Brasil não pode se dar ao luxo de depender de commodities para alimentar seu crescimento e sua prosperidade futuros”, diz Soumitra Dutta (Cornell University) 12 Revista Indústria Brasileira ▶ fevereiro 2022 ▼ Capa

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