Revista Indústria Brasileira - Dezembro
O executivo acredita que algumas pro- posições estratégicas podem avançar antes do recesso parlamentar, como a reavalia- ção da BR do Mar pelos deputados federais e a definição sobre o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (PADIS), cujo texto já foi aprovado pela Câmara. Se, por um lado, o setor celebra as con- quistas, por outro, segue atento à falta de de- finição sobre matérias fundamentais para a superação de dificuldades estruturais e eco- nômicas que atrapalham o crescimento do país e influenciam negativamente o ambien- te de negócios. Luis Henrique Baldez, pre- sidente-executivo da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (ANUT), por exemplo, ressalva que as proposições não caminharam “na forma e na velocida- de que gostaríamos”. Como explica o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Con- feitaria (ABIP), Paulo Menegueli, a ausência de definições e encaminhamentos mais ex- pressivos se dá em relação às reformas es- truturantes. “Considero bons os impactos e a convergência de ideias dentro do cenário po- lítico e econômico neste ano de 2021. Contu- do, precisamos trabalhar para avançar mais em pautas como a reforma tributária ampla, a reforma administrativa e a legislação re- lacionada a licenças ambientais”, defende. Presidente-executivo da Associação Bra- sileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (ABINEE), Humberto Barbato faz coro com Menegueli, mas se mostra otimista em rela- ção ao próximo ano. “Carecemos da imple- mentação dessas reformas estruturais para que possamos aproveitar todo o potencial da indústria instalada no país. Por isso, mesmo em um ano eleitoral, esperamos que essa pauta avance em 2022”, pontua ele. EXPECTATIVAS A ressalva em relação ao ano eleitoral tem fundamento. Nesse período, o ritmo das atividades legislativas tende a diminuir, principalmente a partir do encerramento da janela partidária, no dia 31 de março. Se- gundo Carolina Venuto, presidente da As- sociação Brasileira de Relações Institucio- nais e Governamentais (ABRIG), isso ocorre porque esse é o momento em que os par- lamentares precisam definir as alianças e os acordos que poderão auxiliá-los em suas campanhas, com destaque para a distribui- ção das verbas dos fundos partidário e elei- toral. “Essas atividades exigem uma forte articulação com as lideranças partidárias e com os colégios eleitorais, deixando pouco tempo livre para as atividades em Brasília, no Congresso Nacional”, explica. Carolina Venuto não acredita que esse cenário vá se modificar em 2022, especial- mente porque “teremos as novas regras elei- torais de fim das coligações e introdução das federações partidárias, que deverão impor novos desafios a essas dinâmicas”. Para ela, diante das articulações necessárias para co- locar de pé uma campanha eleitoral, “pro- postas mais complexas, em especial as im- populares, como as que alteram direitos trabalhistas e a arrecadação tributária, ten- dem a entrar em compasso de espera até que nova legislatura se inicie”. ▶ Carolina Venuto (ABRIG) lembra que as atividades legislativas tendem a diminuir por causa das eleições, que dificultam as articulações entre lideranças 32 Revista Indústria Brasileira ▶ dezembro 2021 ▼ Agenda Legislativa
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