Revista Indústria Brasileira - Dezembro
crescimento das exportações em relação ao mesmo período em 2020, destacando- -se a fabricação de produtos alimentícios (+22%), de metais básicos (+31%) e de pro- dutos químicos (+32%). Os dados da Organização Mundial do Comércio (OMC) mostram que a alta glo- bal das exportações no segundo trimestre de 2021, em relação ao segundo trimestre de 2020, foi de 23%. Nos EUA, o aumen- to foi de 29%; na União Europeia, de 28%; na China, de 21%; e no Japão, de 32%. No mesmo período, as exportações do Bra- sil registraram uma alta de 16%. Ainda segundo a OMC, as importações brasilei- ras cresceram em 26%, mais que a média mundial (de 22%). Mesmo com a recuperação da econo- mia em diversas partes do globo, a tendên- cia é que a disputa entre EUA e China per- maneça nos próximos anos. “Essa é a nova realidade. Os conflitos entre Estados Uni- dos e China são desdobramentos de uma concorrência mais diversificada e com- plexa do ponto de vista tecnológico”, ava- lia Cagnin, do Iedi. Segundo ele, há uma forte aceleração da economia da China em constituir competências tecnológicas de ponta. “Em alguns aspectos, coloca em xe- que a supremacia das potências ocidentais. É uma questão geopolítica que se expres- sa no âmbito econômico”, diz. De acordo com ele, a geopolítica ten- de a ganhar importância no período pós- -pandemia. “Isso passa por questões tec- nológicas de proteção ambiental, entre outras. Cada vez mais, os temas ambien- tais organizarão as relações geopolíticas do mundo inteiro, dada a necessidade de reduzir emissões e controlar a escalada climática”, explica. Esse movimento, diz, está associado à reorganização das cadeias globais de valor. “Esse tema nunca mais vai sair de cena. A expansão chinesa continua. A tensão com os EUA é permanente. Virou uma guerra pela fronteira tecnológica. A Chi- na conseguiu grandes avanços na produ- ção de tecnologia própria”, reforça Gala, da FGV. Na mesma linha, Sennes, da Pros- pectiva, diz que a disputa com a China é um tema de enorme concordância entre os governos do democrata Joe Biden e do re- publicano Donald Trump, seu antecessor na presidência dos Estados Unidos: “Esta- mos falando de uma disputa um pouco di- ferente da Guerra Fria. A competição aqui é geoeconômica, e não militar”, pontua. ■ ▶ “Se antes a decisão sobre a localização de unidades produtivas era a partir de custos, agora há um componente geopolítico no processo decisório”, diz Renato Baumann (Ipea) 14 Revista Indústria Brasileira ▶ dezembro 2021 ▼ Capa
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