Revista Indústria Brasileira
mil estudantes matriculados na educação básica em suas 526 escolas em todo o Brasil. Editada em abril prevendo, inicialmen- te, medidas para a preservação de empregos na pandemia, a Medida Provisória 1045/2021 acabou colocando em discussão o repasse obrigatório de 30% das contribuições para o Sistema S para o financiamento de dois programas federais – o Programa Primei- ra Oportunidade e Reinserção no Emprego (Priore) e o Regime Especial de Qualificação e Inclusão Produtiva (Requip). O impacto so- bre o Sistema S seria de aproximadamente R$ 8 bilhões. No entanto, a proposta foi re- vista pelo relator da MP na Câmara, deputa- do Christino Áureo (PP-RJ) e agora prevê que as empresas que aderirem aos programas poderão abater até 15% do valor recolhido da contribuição que fazem para o Sistema S. Essa versão do texto foi aprovada pela Câ- mara dos Deputados no dia 12 de agosto, e agora precisa ser votada pelo plenário do Se- nado Federal para virar lei. “Não faz sentido criar novos programas com ações que o SESI e o SENAI execu- tam, com expertise, há muitos anos. O mo- mento é de unir forças, até mesmo porque o SESI está presente em 2.300 municípios brasileiros e o SENAI, em 2.800. De acor- do com a pesquisa de egressos do SENAI de 2020, sete em cada 10 ex-alunos SENAI estão empregados, e ex-alunos SENAI com cur- so técnico têm 22,7% a mais de renda mé- dia”, detalha Rafael Lucchesi, diretor-geral do SENAI e diretor-superintendente do SESI. Entre os 70% que têm emprego, está a catarinense Letícia Barcelos, de 23 anos. Há quatro anos, ela trabalha como técnica em manutenção da rede de laboratórios San- ta Luzia, em Florianópolis. O curso no SE- NAI foi realizado por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), criado pelo governo federal em 2011. “As pessoas de baixa renda não têm tan- ta opção para melhorar de vida, mas o SESI e o SENAI possibilitam novos caminhos. Eu concluí o curso de técnico de Eletrotécnica e fui contratada logo ao terminá-lo. Hoje já tenho seis anos nessa área”, conta. Um possível corte nos recursos do SESI e do SENAI deve impedir experiências como a de Matildes Gomes, mãe de Matiélis. Ma- tildes perdeu o pai ainda adolescente e, aos 15 anos, teve que largar os estudos e se sus- tentar com o próprio trabalho. Em diferen- tes bairros do Rio de Janeiro, atuou como empregada doméstica e babá. Quase 40 anos depois, morando em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, ca- sada e com dois filhos, ela não imaginava que voltaria a uma sala de aula. “Meus dois filhos estudaram no SESI e no SENAI e eu vi a diferença que isso fez na vida deles. Mi- nha filha insistiu e eu me matriculei”, con- ta Matildes, que concluiu o ensino médio em 2019 por meio do EJA – Educação de Jo- vens e Adultos, gratuitamente. Segundo ela, o leque de possibilidades de trabalho se ex- pandiu com o diploma em mãos, mas seu plano de fazer uma faculdade foi atrapalha- do pela pandemia. Mãe e filha agora compartilham sonhos e planos de vida após a formação que rece- beram. Sonhos que o indígena Ivan Carlos ▶ Egressa do SESI e do SENAI, Matiélis Gomes incentivou a mãe, Matildes, a concluir o ensino médio quase 40 anos depois de ter deixado as salas de aula 44 Revista Indústria Brasileira ▶ agosto 2021 ▼ SESI/SENAI/IEL
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