Revista Indústria Brasileira

da OCDE dizem respeito a meio ambiente e sustentabilidade. Além disso, no acordo entre o Mercosul e a União Europeia existe um capítulo inteiro dedicado à essa questão”, explica Bomtempo. DEFINIÇÕES Segundo o chefe da divisão de meio am- biente do Ministério das Relações Exterio- res (MRE), André Maciel, a expectativa para a COP26 está muito voltada para a resolução de pontos pendentes da regulamentação do Acordo de Paris (o chamado Livro de Regras), entre os quais estão a regulamentação do mercado de carbono; os marcos temporais comuns para todas as Contribuições Nacio- nalmente Determinadas (NDCs); e as tabelas de relato e cumprimento em transparência. “Esperamos que debates sobre esses pon- tos sejam retomados durante a COP26, com a expectativa de que possam ser tomadas de- cisões finais que encerrem o ciclo de regu- lamentação do Acordo de Paris e deem iní- cio à efetiva implementação de todos seus artigos”, diz Maciel. Sobre a possibilidade de revisão das me- tas, o representante do MRE ressalta que a NDC brasileira é uma das mais ambiciosas entre os países em desenvolvimento, e mes- mo entre os desenvolvidos, contendo metas absolutas de redução de emissões, inclusive para 2025, de 37%, e de 43% até 2030, com relação ao ano base de 2005. “Além disso, durante a Cúpula dos Líderes, organiza- da pelo governo norte-americano em abril deste ano, o Brasil confirmou compromis- so com a ambição climática ao antecipar a meta de neutralidade climática de 2060 para 2050 e se comprometer com o combate ao desmatamento ilegal até 2030”. RECURSOS Outra pauta que deve ganhar corpo du- rante a COP26 consiste no financiamento das transformações necessárias para a transição para a economia de baixo carbono. Como explica o gerente da CNI, Davi Bomtempo, para cumprir as metas climáticas o Brasil – e outras nações em desenvolvimento – pre- cisa desenvolver um rol de ferramentas para incidir sobre questões como o desmatamen- to ilegal, expansão das energias renováveis e tecnologias de baixo carbono. Entre as me- tas da COP26 está a de que os países desen- volvidos cumpram com a promessa de mo- bilizar, pelo menos, 100 bilhões de dólares por ano em financiamento climático. “A Ásia vem sendo o principal destino para recursos financeiros voltados à mu- dança climática. Conforme dados da Clima- te Policy Initiative , entre 2017 e 2018, o con- tinente recebeu 38% dos recursos desse tipo de financiamento enquanto foram destina- dos à América Latina e Caribe apenas 4,5% do total”, explica Bomtempo, que comple- menta: “o Brasil está com um potencial su- baproveitado em arrecadar recursos para projetos climáticos. Com informação e bons projetos, podemos ter participação mais re- levante nessas linhas de crédito”. Para contribuir com a reversão desse cenário, a CNI vai estar no estande do Bra- sil na COP26 para mostrar que o setor vem ▶ Para Davi Bomtempo (CNI), o acordo entre Mercosul e União Europeia e o ingresso do Brasil na OCDE dependem de atuação firme em relação ao meio ambiente 32 Revista Indústria Brasileira ▶ agosto 2021 ▼ Competitividade

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