Revista Indústria - Junho/22
gases de efeito estufa, pela nossa riqueza na- tural, pelas nossas florestas. A indústria da- qui é uma das mais responsáveis do mundo e uma das que menos emite gases de efei- to estufa. Setores industriais que são, nor- malmente, emissores desses gases, têm fei- to um trabalho fantástico de redução – como os setores de cimento, de metalurgia e de si- derurgia. Além disso, o Brasil aprovou, em 2021, o marco regulatório do saneamento básico, que vai permitir que empresas priva- das reduzam os problemas que a gente tem nessa área. Eu também vejo que o governo está compromissado com o Acordo de Paris e tem feito um trabalho importante nessa di- reção. Agora, precisamos aprovar uma legis- lação de licenciamento ambiental eficiente. Não é uma questão – como às vezes se co- loca – de abrir o licenciamento ambiental em qualquer possibilidade. É uma questão de agilizar o licenciamento, porque o em- presário que tem recursos e quer investir não fica esperando anos para conseguir a licença. Se não tem no Brasil, ele vai inves- tir em outro país. Como o senhor enxerga a agenda da ino- vação na indústria? Por meio da CNI (Con- federação Nacional da Indústria), do SESI (Serviço Social da Indústria) e do SENAI (Ser- viço Nacional de Aprendizagem Industrial), nós lideramos um fórum, que é a MEI (Mo- bilização Empresarial para a Inovação), de que participammais de 400 empresas. Além disso, o SENAI tem investido muito em labo- ratórios de tecnologia e de inovação. Hoje nós temos a maior rede da América Latina de institutos de inovação: 26 unidades espa- lhadas pelo Brasil e mais de 60 institutos de tecnologia. Isso é resultado do trabalho des- sa mobilização de empresários e de grandes e médias empresas que têm colocado seu tempo, sua inteligência e seu conhecimen- to a serviço da inovação. O que o Brasil precisa fazer para não ficar para trás nesta nova “Revolução Industrial”, conhecida como indústria 4.0? A primeira coisa é sensibilizar os empresários e o gover- no de que a gente precisa investir na indús- tria 4.0 para que a gente não perca um espa- ço que já foi conquistado e para que a gente possa conquistar um espaço ainda maior na economia global. Por isso, o SENAI está desenvolvendo um programa com investi- mento de mais de R$ 400 milhões nas nossas escolas, nas nossas unidades de formação profissional e nas unidades de apoio para a indústria, com o objetivo de colocar toda a tecnologia da indústria 4.0 à disposição do empresariado brasileiro. Pesquisas da CNI mostram que, até o ano de 2020, a partici- pação de empresas e investimentos volta- dos para a indústria 4.0 ainda era pequena no Brasil. Depois disso, cresceu muito. As empresas percebem que o caminho para au- mentar a produtividade e a competitivida- de é investir em novas tecnologias, em ino- vação, de forma que a gente fique com uma indústria que seja “top”, que esteja entre as melhores do mundo. A infraestrutura brasileira ainda é um grande gargalo para o desenvolvimento do país e a CNI sempre defendeu que fossem feitas parcerias entre o governo e a inicia- tiva privada nessa área. Por que essa soma “ O Brasil que eu desejo é um Brasil que gere oportunidades para todos. Um Brasil que possa fazer com que os jovens tenham a certeza de que o país oferece possibilidades e qualidade de vida” 8 Revista Indústria Brasileira ▶ junho 2022 ▼ ENTREVISTA | Robson Andrade
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