Revista Indústria - Junho/22

▶ A educação tem que estar orientada para a solução de problemas e a inovação, pois o ciclo tecnológico está cada vez mais curto, diz Rafael Lucchesi (CNI) No Brasil, mais de 30% dos trabalhado- res não possuem a educação básica comple- ta. É necessário garantir que eles finalizem o ensino médio e sejam integrados no mer- cado com cursos profissionalizantes que os preparem para uma economia globalizada e de alta complexidade. “Inovações como a educação híbrida, materiais didáticos digitais e plataformas de ensino adaptativo apoiam a formação de excelência e serão chave para garantir o fu- turo do Brasil”, pontua o gerente-executivo de Educação do Serviço Social da Indústria (SESI), Wisley Pereira. Um dos principais problemas da educa- ção nacional é a falta de equidade, demons- trada pelos resultados da última edição do Programa Internacional de Avaliação de Es- tudantes (Pisa), realizado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econô- mico (OCDE) em 2018. Dos 79 países parti- cipantes do Pisa, o Brasil ficou em 57º lugar no ranking em leitura, 70º em matemática e em 66º em ciências. Países que também contam com uma alta taxa de estudantes em camadas des- favorecidas, como o Vietnã, tiveram resultados positivos no exame e demons- tram que a vulnerabilidade econômica e social não determina, por si só, a qualida- de do aprendizado. Os estudantes vietnami- tas, por exemplo, alcançaram desempenho superior à média da OCDE nas três disci- plinas avaliadas. Por isso, diz o estudo da CNI, é funda- mental que avaliações como o Pisa não sir- vam apenas como ferramenta para ranquear países, mas possam, por meio de análises aprofundadas, servir também como bússo- la que indique caminhos a seguir. ATRASO DIGITAL Uma das direções promissoras é a digi- talização. Cerca de 83% dos lares brasilei- ros têm, atualmente, acesso à internet, mas, entre as classes D e E, o percentual cai para 64%. Assim como no passado a alfabetiza- ção foi vista como indispensável, conhecer o mundo digital é essencial para a inserção na sociedade contemporânea. Em seminário sobre o bicentenário da In- dependência do Brasil, realizado no início de junho, o diretor de Educação e Tecnolo- gia da CNI e diretor-superintendente do Ser- viço Social da Indústria (SESI), Rafael Luc- chesi, afirmou que o Brasil corre o risco de perder a quarta revolução industrial porque ainda não entendeu que educação, ciência e tecnologia precisam estar no centro das discussões do país. No evento, ele citou que o SESI tem um sistema estruturado de ensino proprietário, digital e adaptativo, que pode ajudar na re- volução educacional do Brasil com um pa- drão de tecnologias educacionais. “O SESI realiza o maior torneio de robóti- ca do Brasil. E não é a robótica pela robótica. É educação do século 21, é educação com re- solução de problemas, é educação com ca- pacidade de lidar com inovação, porque o ciclo tecnológico está cada vez mais curto”, destacou Lucchesi, que também é diretor- -geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). 32 Revista Indústria Brasileira ▶ junho 2022 ▼ Edição Especial

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