Revista Indústria - Junho/22
Mercado de crédito penaliza pequenos ESTUDO DA CNI MOSTRA COMO MICRO, PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS INDUSTRIAIS PODEM SUPERAR AS DIFICULDADES PARA CONSEGUIR FINANCIAMENTO Três pilares podem impulsionar o acesso a financiamentos no Brasil, principalmen- te para pequenas e médias empresas in- dustriais: a redução de custo e facilitação de acesso do crédito bancário; o aprimora- mento dos empréstimos fora dos bancos; e o aperfeiçoamento das políticas de crédito público ou incentivado. Conforme o estudo Financiamento: base do crescimento , da Confederação Nacional da Indústria (CNI), as empresas brasileiras en- frentam dificuldades para conseguir finan- ciamento, seja pelo custo alto ou pela dis- ponibilidade de recursos. Segundo o Banco Central (BC), em dezembro de 2020, as gran- des empresas detinham 58% do volume das carteiras de crédito de instituições financei- ras. Já as empresas de médio porte tinham 24%, sendo os 18% restantes dedicados às micro e pequenas. Dados do BC e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Se- brae) mostram que, em 2020, a diferença entre a taxa média de juros para financia- mento às microempresas apresentava uma diferença de 31,9 pontos percentuais em re- lação à das grandes. Custava para as micro, em média, 38,4%, enquanto o valor era de 6,5% para as grandes. No mesmo período, comparando pequenas e grandes empresas, a diferença fica em 22,1 pontos percentuais, desfavorável às pequenas. “Devido a assimetrias de informação e à menor capacidade de prover garantias, essas empresas enfrentam maiores dificuldades quando buscam capital de terceiros para fi- nanciar suas atividades. É fundamental iden- tificar onde estão os principais gargalos e propor medidas para superá-los, de forma a ampliar o financiamento, necessário para o crescimento econômico do Brasil”, expli- ca Mário Sérgio Telles, gerente-executivo de Economia da CNI. Entre as medidas propostas no estudo es- tão a redução da assimetria de informação, a facilitação do acesso ao sistema de garantias, a redução dos custos tributários e administra- tivos sobre a intermediação financeira, o estí- mulo à concorrência entre as instituições fi- nanceiras e o aumento da segurança jurídica dos contratos de financiamento. Para ampliar o financiamento não bancário, a CNI propõe atualizar e aprimorar a regulação com simpli- ficação de normas e procedimentos. Ainda de acordo com o estudo, as políti- cas públicas de apoio ao crédito precisam ser melhoradas. Isso pode ser feito por meio da manutenção e ampliação de concessão de ga- rantias voltadas para as pequenas e médias empresas. A CNI também sugere intensificar programas de educação financeira, aperfei- çoar a governança, aumentar a segurança jurí- dica do sistema de apoio oficial às exportações e promover o financiamento à inovação. ■ 28 Revista Indústria Brasileira ▶ junho 2022 ▼ Edição Especial
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