Revista Indústria - Junho/22
O ambiente certo para crescer DESENVOLVIMENTO DO PAÍS PASSA PELA RESPONSABILIDADE FISCAL E PELA MANUTENÇÃO DAS METAS DE INFLAÇÃO E DO CÂMBIO FLUTUANTE A construção de um ambiente macroeconô- mico favorável aos negócios passa, além de medidas para aumentar a produtividade e reduzir o Custo Brasil, pela manutenção e pelo fortalecimento dos instrumentos que visam à estabilidade contas públicas. Para alcançar esse objetivo, o documen- to Estabilidade macroeconômica: essencial para o investimento , elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra que é preciso manter o regime de metas de infla- ção, o mercado de câmbio flutuante e as re- gras fiscais com foco na redução do endivi- damento público e no equilíbrio fiscal. O principal problema da economia brasi- leira, segundo o documento, é o baixo cres- cimento. Com o desenvolvimento a passos lentos, fica difícil reduzir o número de pes- soas que vivem abaixo da linha de pobreza e garantir condições dignas de vida para esse estrato da população. Entretanto, o fraco desempenho econô- mico do Brasil não é um fenômeno recente. Entre 1980 e 2019, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita brasileiro cresceu, em mé- dia, apenas 0,93% ao ano. Quando compa- rado ao de outros países, esse desempenho pequeno fica ainda mais explícito. Entre 1980 e 2019, por exemplo, o cresci- mento do PIB per capita acumulado da eco- nomia brasileira foi de apenas 34%. Em ou- tros países da América Latina foi de 74%, e, nos Estados Unidos, de 95%. No mesmo pe- ríodo, o crescimento do conjunto de países do Sudeste Asiático ficou em 342%. Para a recuperação do crescimento eco- nômico do Brasil, o estudo da CNI indica que é essencial promover condições que permitam a elevação expressiva da taxa de investimento, principalmente em inovação. Em relação à política macroeconômica, a entidade reforça a importância da estabi- lidade de preços. Ter fundamentos macroeconômicos só- lidos, conforme o documento, reduz incer- tezas sobre o futuro e gera confiança para o investidor. Assim, segundo a CNI, a busca pelo equilíbrio fiscal deve ser uma das prio- ridades do governo federal. José Velloso Dias Cardoso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), ana- lisa que o grande erro do Brasil é ter gas- tos geradores de recorrentes déficits pri- mários – que ocorrem quando o país não consegue arrecadar recursos de modo a su- perar seus gastos durante determinado pe- ríodo. “A falta de equilíbrio fiscal gera juros altos, que, por sua vez, inibem os investi- mentos”, lembra Cardoso. Ao mesmo tempo, de acordo com o es- tudo da CNI, será preciso reduzir a rigidez orçamentária, abrindo espaço para que o governo federal possa realizar mais in- vestimentos. Entre as regras que devem ser preservadas e fortalecidas, segundo a entidade, estão o teto de gastos e a Lei de Responsabilidade Fiscal, que contribuem para coibir gastos excessivos por parte do poder público. ■ 26 Revista Indústria Brasileira ▶ junho 2022 ▼ Edição Especial
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