INDÚSTRIA BRASILEIRA

Cailany fala com a experiência de quem já participou de diferentes competições de ciências. Em 2022, junto com sua equipe for- mada por outros estudantes do SESI de Natal, foi finalista na Febrace , maior feira de ciên- cias e engenharia pré-universitária, reali- zada pela Escola Politécnica da Universida- de de São Paulo (USP). Eles desenvolveram uma jujuba destinada a pacientes oncológi- cos que fazem uso da quimioterapia e da ra- dioterapia e que, devido ao tratamento, apre- sentam perda do paladar, incapacidade de sentir odores e baixa produção de saliva. A soma desses fatores pode provocar desnutri- ção, responsável por grande parte das mor- tes durante o tratamento de câncer. A jujuba, chamada de Nutrini, é feita a partir de óleo essencial de hortelã pimenta e estimula a recuperação dos sentidos perdidos, promovendo uma melhora na nutrição dos pacientes, essencial durante o tratamento. ESTÍMULO À CIÊNCIA A equipe da Cailany não foi a única do SESI a participar da Febrace . Cerca de 50 es- tudantes da instituição, de diferentes par- tes do Brasil, foram finalistas da competi- ção. Nos últimos anos, o SESI tem tido cada vez mais representantes em olimpíadas ou feiras de ciências e em competições nacio- nais de inovação e robótica. Para Diego Cavalcante, professor de Geografia que atua no SESI-RN desde 2015, as conquistas recorrentes dos estudantes da rede têm como explicação a metodolo- gia de ensino. Segundo ele, que orientou a equipe de Natal na Febrace , o interesse dos alunos aumentou. “Se antes era preciso insistir para os alu- nos participarem de feiras e torneios, após tantos resultados positivos, hoje eles é que nos procuram para isso”, conta Diego. O interesse dos alunos do SESI contras- ta com a percepção de ciência do restante dos jovens do país. De acordo com um le- vantamento realizado, em 2019, pelo Institu- to Nacional de Ciência e Tecnologia em Co- municação Pública da Ciência e Tecnologia (INCT-CPCT), 67% dos jovens brasileiros se interessam pela área. Entretanto, poucos co- nhecem os mecanismos e as possibilidades da produção científica no Brasil e 93% dos mais de 2,2 mil entrevistados não se lem- bram do nome de nenhum cientista brasi- leiro. Apenas 26% das pessoas ouvidas disse- ram pesquisar sobre o tema com frequência e somente 12% souberam citar o nome de instituições nacionais dedicadas à pesquisa. SegundoWisley Pereira, gerente-executi- vo de educação do SESI, a organização atua para mudar esse cenário. Com mais de 400 escolas em todo o país, a instituição adotou, na última década, diferentes projetos para estimular a formação de novos cientistas. ▶ Wisley Pereira (SESI) destaca que o sucesso dos alunos passa pela metodologia de ensino da rede, que inclui material didático 100% autoral desenvolvido pelos professores do SESI 44 Revista Indústria Brasileira ▶ maio 2022 ▼ SESI/SENAI/IEL

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