INDÚSTRIA BRASILEIRA

interno pelo qual passou a empresa em que trabalha. Responsável pela fabricação de transformadores de alta potência, a paulis- tana TSEA introduziu, há dois anos, mudan- ças em uma linha de fabricação. Os resul- tados foram tão positivos que, neste ano, a novidade foi estendida a outras seis linhas. “Passamos a digitalizar as informações transmitidas pelas máquinas. Instalamos sensores nos equipamentos, captamos si- nais enviados por eles e armazenamos esses dados nas nuvens. Passamos a tomar deci- sões muito rápidas e seguras, identificamos melhor os problemas, aumentamos a produ- tividade e diminuímos os gastos commanu- tenção”, elenca Guilherme. O coordenador afirma que, agora, é pos- sível acompanhar as oscilações semanais das máquinas, graças à elaboração de rela- tórios que chegam para todos da empresa, por celular ou computador. Quando uma tecnologia vem de baixo para cima, fica muito mais fácil promover a mudança de cultura da empresa. Foi o que aconteceu na capixaba Griffus Cosméticos. Os empregados fizeram uma mentoria Lean oferecida pela CNI. A metodologia Lean foi desenvolvida para oferecer uma manufatu- ra enxuta, que permite ganhos de produtivi- dade a partir de técnicas modernas de ges- tão do processo produtivo. Os resultados foram tão expressivos que o dono da em- presa, Thiago Engel Domingues, resolveu, ele próprio, fazer o curso. “Não adiantava eles me falarem se eu tivesse resistência a mudanças. A mentoria transformou minha forma de pensar e ver a empresa”, garante. Com as mudanças tecnológicas, Thiago diz que a produtividade aumentou. “Antes, a gente só tinha noção de que o mês tinha sido ruim na hora do balanço. Depois, passa- mos a ter análises semanais. Agora, os dados são praticamente instantâneos. Corrigimos os rumos e compensamos perdas imediata- mente”, explica o empresário. Para o especialista em ambiente digital Renato Dolci, o cenário econômico adver- so – com baixa liquidez, inflação e juros em alta, dívidas de pessoas físicas e jurídicas –, somado à recessão advinda da pandemia de Covid-19, obrigou as empresas a se reinven- tarem. O processo de digitalização é, para ele, um caminho natural para voltar a ter competitividade. “É mais barato do que pensarmos em construir novos parques de produção e am- pliar plantas fabris. As grandes empresas já tinham percebido isso. Elas sabem que não podem ficar paradas”, disse Renato. Ele reforça, no entanto, que alguns desa- fios fazem com que esse processo seja natu- ralmente mais lento, a começar pela forma- ção de mão de obra. “Nosso ensino básico não é digitalizado. Precisaríamos ao menos dobrar os investimentos nessa área no perío- do de 2020 a 2025. Além disso, apenas 9% dos brasileiros entendem inglês, a linguagem básica da programação”, lamenta Renato. ▶ “Identificamos melhor os problemas, aumentamos a produtividade e diminuímos os gastos commanutenção”, comemora Guilherme Gomes (TSEA Energia) 28 Revista Indústria Brasileira ▶ maio 2022 ▼ Competitividade

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