Revista Indústria Brasileira
21 Revista Indústria Brasileira com celeridade, ainda mais agora, com o re- crudescimento da pandemia. Os setores produtivos já apontaram a re- forma tributária como fundamental para dar mais segurança jurídica e diminuir a burocracia e o Custo Brasil. Qual é o me- lhor sistema tributário para o país e quan- do o projeto deve ser pautado? Acertei com o relator da reforma tributária, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), e combinamos de apresentar ainda emmarço seu texto para os líderes, para o presidente do Senado, Rodri- go Pacheco (DEM-MG), e para a equipe eco- nômica. É um assunto muito sensível, que precisa ser amplamente discutido com os se- tores e a sociedade civil. Não podemos, em hipótese alguma, fugir do debate, não neste momento. Acho que a minha opinião como presidente agora não importa. Precisamos, sim, coordenar os debates e fechar a um tex- to que esteja amadurecido. A reforma administrativa também é destacada como item imprescindível para o equilíbrio das contas públicas e para a redução do Custo Brasil. Quando o tema deve entrar em pauta e quais os pilares dessa reforma? A reforma administrativa, para começar, tem um efeito “ex nunc”, ou seja, vale para o futuro, mas isso é uma si- nalização muito importante para a socie- dade, para o mercado, para o exterior: fa- zer passar essa reforma. Acredito que isso aconteça no máximo em quatro meses. É muito importante. Há uma série de projetos em tramita- ção que impactam negativamente a desti- nação de recursos para o desenvolvimento científico e tecnológico do setor produtivo. Qual a sua opinião sobre a importância de mecanismos de apoio à inovação por par- te das empresas de modo que o Brasil se mantenha competitivo no mercado global? Mais uma vez, eu estou presidente para coor- denar os trabalhos. Todo e qualquer projeto somente será pautado quando chegar a um amadurecimento entre os líderes e também com a sociedade. Não tenho preconceito com nenhum assunto, mas percebo que os líde- res, em sua maioria, estão atentos às maté- rias que possam travar o país. Nos últimos anos, o Brasil tem enfrenta- do um preocupante processo de desindus- trialização. Como o Congresso Nacional pode contribuir para reverter esse qua- dro? Estamos fazendo as reformas estrutu- rais e vamos dar prioridade para esse tema. Somente agora no primeiro trimestre de- mos sinais concretos na economia, como na aprovação da PEC emergencial, que é uma revolução nas contas públicas brasileiras. Tivemos alterações nos fundamentos e te- mos um Banco Central independente, que foi um ato histórico. O Brasil está mudan- do e está avançando em grandes transfor- mações institucionais. É preciso ver o Brasil como um todo, mais do que nunca. Qual a marca que o senhor gostaria de deixar ao fim do biênio da sua gestão? Acre- dito que a minha gestão tem que ser a “Câ- mara do Nós”. Passamos os últimos anos com uma Câmara que fazia a pauta do presiden- te. Nada democrático. Temos que fazer os projetos andarem independentemente de nossas bandeiras ideológicas, mas definin- do tudo por maioria. Não tem maioria, não vota. Não podemos escolher times, bandei- ras. A cadeira do presidente no plenário da Câmara é flexível, ela gira para os lados. Isso não é meramente decorativo. O presidente da Câmara não vota. Ele abre mão do voto quando se senta na cadeira. Ele coordena os trabalhos, de forma democrática. É isso que quero deixar na minha gestão. ■
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