Revista Indústria Brasileira - Fevereiro 2022

Segundo Soumitra Dutta, professor de administração na SC Johnson College of Bu- siness , Universidade de Cornell (Nova York), outro aspecto que deve ser considerado é que a natureza da inovação envolve riscos. “Portanto, um desafio importante é anteci- par qual conjunto de ideias será bem-su- cedido nos novos cenários pós-Covid”, diz. Para ele, a pandemia acelerou a mudança geográfica de longo prazo das atividades de inovação para a Ásia, “mesmo que a Améri- ca do Norte e a Europa continuem abrigan- do algumas das principais organizações ino- vadoras do mundo”. As empresas da América Latina e do Ca- ribe, argumenta o especialista, precisam se beneficiar mais dessas mudanças. “Pela mi- nha experiência em observar líderes em ino- vação na última década, acredito que o go- verno brasileiro precisa fazer da inovação a maior prioridade para o país nos próximos anos. A China fez dela sua prioridade há cer- ca de 15 anos e os resultados agora são vi- síveis. O Brasil não pode se dar ao luxo de depender de commodities para alimentar seu crescimento e sua prosperidade futu- ros”, comenta Dutta. DIGITALIZAÇÃO A digitalização, afirma, é hoje um pro- cesso de grande escala, em todos os seto- res da economia, inclusive na agricultura. “Israel, por exemplo, apesar de ser uma pe- quena nação em uma região árida do Orien- te Médio, é uma potência em agrotecnologia com mais de 300 empresas ativas na agri- cultura digital”, destaca Dutta, responsável por desenvolver, desde 2007, o Índice Global de Inovação, um dos principais indicadores para comparar o grau do progresso científi- co e tecnológico de cada país. Segundo ele, os progressos no Brasil em inovação exigem um foco em cinco elementos-chave: educação, que precisa ter uma forte ênfase em ciência e tecno- logia; melhoria do ambiente de negócios; apoio às pequenas e médias empresas, por meio, por exemplo, de compras públicas; estímulo ao ecossistema de inovação, es- pecialmente entre universidades e indús- trias; e construção da marca do país em cima da inovação. “O mundo deveria co- nhecer o Brasil não só por futebol, praia e samba, mas também pela alta tecnologia e inovação”, afirma. Guilherme Arruda, CEO da startup VG Resíduos e palestrante do 9º Congresso Bra- sileiro de Inovação da Indústria , afirma que esse processo não se limita a criar um setor de inovação na indústria para trazer ideias ▼ Para Gianna Sagazio (CNI), é preciso atualizar o currículo dos cursos de Engenharia e dar mais segurança jurídica aos esforços de inovação 10 Revista Indústria Brasileira ▶ fevereiro 2022 ▼ Capa

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