Revista da Indústria Brasileira

Essa agenda é uma prioridade, pois sabemos que não existe economia sus- tentável sem uma indústria forte e sustentável e a indústria brasileira está preparada para essa transição. Devemos aproveitar todas as oportunida- des oferecidas pela economia de baixo carbono, que requer mão de obra qualificada, investimento em novas tecnologias e fontes de energia limpa, como a eólica offshore. Vamos pegar todas as vantagens competitivas que temos aqui, como uma matriz energética predominantemente limpa, para liderar ummovimento global de descarbonização, com potencial para ser- mos um grande hub de exportação de energia renovável, tendo o hidrogê- nio verde como uma das principais apostas. A aprovação da reforma tributária pelo Senado é uma vitória para a socie- dade e deixa o Brasil mais perto de ter um sistema moderno e eficiente, baseado em um IVA de boa qualidade, com reflexos positivos sobre inves- timento, crescimento econômico, geração de emprego e renda. Entretan- to, entendemos que, no texto aprovado, há excesso de atividades com alí- quota reduzida, o que poderá resultar em alíquotas mais altas para outros setores. Além disso, acreditamos na necessidade de corrigir pontos rela- cionados ao Imposto Seletivo para evitar cumulatividade. Em termos de qualificação, já temos na CNI e nas federações um know-how enorme com o Sistema S, e que pode ser expandido. Isso será feito, de for- ma a atender às enormes demandas que virão com a neoindustrialização. Oministro da Fazenda, Fernando Haddad, lembrou outro dia uma propos- ta que ele fez quando era ministro da Educação, de oferecer contraturnos de educação profissional aos alunos da rede pública. Estamos dispostos a pensar fora da caixa, até porque a caixa não nos serve mais. ECONOMIA DE BAIXO CARBONO REFORMA TRIBUTÁRIA QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL O crédito público nunca será capaz de atender a todas as necessidades da in- dústria, mas quero parabenizar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econô- mico e Social (BNDES) pelas ações de estímulo à industrialização. O crédito privado é muito maior e mais capilar, porém é preciso aprofundar o diálogo com o sistema financeiro para termos financiamentos a custos competitivos e que não sejam um obstáculo para a nossa atividade. Precisamos criar condições para as mulheres ocuparemmais espaços nas li- deranças empresariais e institucionais. Ainda que, na CNI, as mulheres repre- sentem 59% dos cargos de liderança, temos poucas mulheres presidentes de federações. Emmaio de 2022, a CNI lançou o Fórum Nacional da Mulher Em- presária, que terá todo o nosso apoio. É importante concluir esse acordo, pois ele beneficiará a relação comercial entre os países envolvidos, com a redução de impostos de importação. Esti- ma-se que cerca de 95% de todos os bens industriais do Brasil tenham o im- posto de importação zerado em até 10 anos ao entrar no mercado europeu, sendo que mais da metade desses produtos, quase três mil bens industriais, terão o benefício assim que o acordo entrar em vigor. Queremos condições de competir. Vamos investir nas estruturas física e re- gulatória que nos permitam competir com o mundo. Isso inclui crédito a pre- ço justo, educação de qualidade e estímulo à inovação, à pesquisa e ao de- senvolvimento (P&D). Já há o compromisso de mais recursos para a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e para centros tecno- lógicos. Na Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), temos a ex- periência muito bem-sucedida do Centro Integrado de Manufatura e Tecno- logia (Cimatec), que mostra como o sistema das federações pode ser efetivo nessa transformação. Também daremos atenção especial à criação de um ambiente de startups industriais, como o setor financeiro e o agronegócio já estão fazendo, com ótimos resultados. CRÉDITOS PÚBLICO E PRIVADO PARTICIPAÇÃO DE MULHERES EM POSTOS DE LIDERANÇA ACORDO MERCOSUL- UNIÃO EUROPEIA INOVAÇÃO E P&D 29 28 Revista da Indústria Brasileira #083 ENTREVISTA RICARDO ALBAN

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