Revista da Indústria Brasileira
Renata Spallicci, vice-presidente da Apsen Farmacêutica, defende que empresas aderentes aos princípios ESG têm mais oportunidades de atrair investidores atentos às questões ambientais, sociais e de governança A pesquisa ouviu 1.004 executivos de empresas industriais de pequeno, médio e grande portes em to- das as unidades da Fe- deração. O levantamen- to foi feito pelo Instituto de Pesquisa em Reputa- ção e Imagem, da FSB Hol- ding, entre os dias 3 e 20 de novembro de 2023. 80% dos en- trevistados são de pequenas em- presas e 20%, de médias e grandes. Apesar das medidas que vêm sendo adotadas pela indústria, ainda há muito a ser feito para que o Brasil avance em relação à redução das emissões de gases de efeito estufa e atinja as metas estabelecidas no Acordo de Paris. Quando questionados sobre as ações prioritárias para que a indústria contribua com a descarbonização, os empresários elencaram a mo- dernização demáquinas (27%), o uso de fontes de ener- gias renováveis (23%) e o investimento em tecnolo- gias de baixo carbono (19%). Outras medidas citadas foram investimento em inovação (14%) e acesso a fi- nanciamento (10%). E, para incrementar as ações sustentáveis, nos próximos dois anos, o principal foco de investimen- to dos empresários industriais é o uso de fontes re- nováveis de energia, citado por 42% dos entrevista- dos, seguido por modernização de máquinas (36%) e medidas para otimizar o consumo de energia, indica- do como prioridade para 32% dos industriais. “O Bra- sil tem uma das maiores fontes de energia limpa do mundo. A matriz energética brasileira é praticamen- te limpa, pois é muito sustentada na energia hidrelé- trica”, explica Luciano Machado, diretor comercial na MMF Projetos de Infraestrutura. A energia solar é a fonte renovável que desper- ta o maior interesse entre os empresários industriais. Na amostra geral, 75% dos entrevistados disseram mercados, além de contribuir para as metas glo- bais voltadas para ESG, por meio de ações que ge- rem eficiência, resultados alavancados e utilização de ativos limpos. Essas oportunidades não só pro- movem a sustentabilidade, mas também fortalecem a resiliência, a competitividade e a posição global da indústria brasileira no cenário empresarial atual”. Recentemente, diz ela, “começamos a inves- tir em ESG de forma mais estratégica, visando não apenas a uma reflexão em torno das nossas ações e à produção de medicamentos com altíssima qua- lidade, mas também ao que podemos oferecer e devolver à sociedade”. Nesse contexto, explica, “buscamos constantemente a inovação em nossos processos e no desenvolvimento de produtos. Nossa prioridade é adotar práticas que gerem valor e mini- mizem riscos ambientais, sociais e de governança. FINANCIAMENTO E NOVAS TECNOLOGIAS VERDES A expansão do número de indústrias que conse- guem acessar formas de financiamento para iniciati- vas sustentáveis é uma das necessidades apontadas pelo setor privado para impulsionar uma economia de baixo carbono, assim como a disseminação de tecnologias verdes. Do total de entrevistados, 67% demonstraram interesse em acessar linhas de crédito com esse ob- jetivo, mas nem todos concretizaram essa intenção. Apenas 16% buscaram algum incentivo de crédito público para projetos sustentáveis e 6% consegui- ram. O crédito privado se mostrou mais acessível aos empresários: 24% buscaram e 15% consegui- ram. Para 62%, o acesso ao financiamento para ações em sustentabilidade é considerado difícil ou muito difícil. A dificuldade de crédito ou financia- mento aparece como a terceira barreira para implan- tar ações de sustentabilidade (apontada por 22%). ter muito ou algum interesse em adotar esse tipo de fonte energéti- ca. Em segundo lugar, aparece o hi- drogênio verde ou de baixo carbo- no, com 19% e, em terceiro, a eólica, com 13%. “A indústria brasileira tem uma oportunidade enorme de de- senvolver energias limpas: eólica ou fotovoltaica ou ainda na biomassa. A gente ainda utiliza pouquíssimo o nosso conteúdo orgânico, que al- guns chamam de lixo, para gerar energia”, avalia Machado. A pesquisa mostra, ainda, que 53% das indústrias já têm projetos ou ações voltados para o uso de fon- tes renováveis de energia. A solar é a que concentra o foco dessas inicia- tivas, respondendo por 91% delas. Biomassa (5%), eólica (3%) e hidro- gênio de baixo carbono (1%) respon- dem pelas demais fontes, sendo es- tudadas pelas empresas. “O Brasil se encontra na van- guarda da transição energética, com elevada participação de fontes reno- váveis na matriz energética, e segue em uma trajetória sustentável, am- pliando e diversificando, cada vez mais, o uso dessas fontes limpas e renováveis”, afirma Davi Bomtempo, gerente-executivo de Meio Ambien- te e Sustentabilidade da CNI. Renata Spallicci, vice-presiden- te da Apsen Farmacêutica, acrescen- ta que as empresas que abraçam práticas ESG têm mais oportuni- dades de atrair investidores que se preocupam com questões ambien- tais, sociais e de governança. “Isso pode promover o acesso a novos REDUZIR A GERAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS É A PRIORIDADE USO DE FONTE RENOVÁVEIS DE ENERGIA VEM EM SEGUNDO LUGAR Ações para reduzir a geração de resíduos sólidos Uso de fontes renováveis de energia Ações para a otimização do consumo de energia Modernização do maquinário para melhoria de aspectos ambientais Ações para otimizar o uso da água Aprimoramento dos processos para melhoria do desempenho ambiental da organização Logística reversa de produtos Processos dedicados a reduzir ou eliminar a poluição da água Ações para mitigação da emissão de gases de efeito estufa Processos dedicados a reduzir ou eliminar a poluição do ar Não souberam/ Não responderam 35% 33% 29% 21% 20% 14% 12% 11% 9% 9% 2% MAIORES INVESTIMENTOS DEVEM SER EM ENERGIAS RENOVÁVEIS PRINCIPAL FOCO DE INVESTIMENTO EM SUSTENTABILIDADE NOS PRÓXIMOS DOIS ANOS Uso de fontes renováveis de energia Modernização do maquinário para melhoria de aspectos ambientais Ações para a otimização do consumo de energia Ações para reduzir a geração de resíduos sólidos Ações para otimizar o uso de água Aprimoramento dos processos para melhoria do desempenho ambiental da organização Logística reversa de produtos Ações para mitigação da emissão de gases de efeito estufa Processos dedicados a reduzir ou eliminar a poluição da água Processos dedicados a reduzir ou eliminar a poluição do ar Não souberam/ Não responderam 42% 36% 32% 24% 15% 11% 9% 9% 8% 7% 3 % 20 #083 Revista da Indústria Brasileira 21 INDÚSTRIA SUSTENTÁVEL
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