Revista da Indústria Brasileira

O documento da CNI “traz as prioridades, elenca os temas mais sensíveis e recomenda algumas ações por parte do governo federal”, diz Roberto Muniz (CNI) Conforme previsto no Acordo de Paris, assinado em dezembro de 2015, os países signatários devem apre- sentar, de maneira voluntária, o que são capazes de fazer para limitar o aquecimento global a 1,5 °C por meio do plano de redução de emissões de carbo- no. A NDC representa o compromisso de descar- bonização da economia assumido por cada país. Na COP28, deverá ser divulgado o primeiro Ba- lanço Global (Global Stocktake – GST), que tem como objetivo mostrar e avaliar o progresso co- letivo nas metas de longo prazo para redução da emissão de GEE. A NDC do Brasil prevê a redução em 48% das emissões até 2025 e em 53% até 2030, em relação aos índices de 2005. Apesar disso, a NDC não apresen- ta detalhes nemmedidas para indicar como a meta será implementada e quais setores ou segmentos seriam priori- tários, o que a torna imprecisa. Segundo Muniz, a expecta- tiva é de que o Balanço Global (GST) se torne uma referên- cia para a tomada de decisões e de investimentos: um norte para as ações dos países no cumprimento de suas metas. Ele afirma que é essencial que o governo brasileiro comunique, posteriormente, com transparência e estratégia, as medidas setoriais e as políticas a serem tomadas para implementar a meta prevista na NDC. “Eles darão publicidade aos resultados já obtidos. Isso abre a oportunidade, também, para implementar um novo plano de ação. Ou seja, será possível ver o que vamos precisar fazer a mais para que tenhamos uma convergência maior para o cumprimento das metas tanto aqui dentro no Brasil quanto lá fora”, explica. A COP28 deverá se concentrar em quatro te- mas: acelerar a transição energética e reduzir drasticamen- te as emissões antes de 2030; transformar o financiamento climático, cumprindo antigas promessas e criando estrutura para umnovo acordo de financiamento; colocar a natureza, as pessoas e os meios de subsistência no centro da ação climáti- ca; e mobilizar os atores para realizar uma COPmais inclusiva. Muniz explica que o balanço a ser divulgado não indica- rá situações individuais dos países, mas um cenário coletivo de como as partes estão se aproximando das metas do Acor- do de Paris. Conforme o documento da CNI, os números a serem divulgados demonstrarão que o mun- do não esta no caminho para alcançar as me- tas do Acordo de Paris. Nesse contexto, a Pre- sidência da COP28 propõe um conjunto de três grandes ações para corrigir o curso das nego- ciações e definir as medidas a serem adota- das pelos países que aderiram ao acordo: uma estratégia de adaptação às mudanças climá- ticas, uma agenda de ações e um chamado à ação, com uma mensagem clara sobre o pa- pel de cada governo, cada setor e cada pessoa. Combase nas informações que serãodivul- gadas, odiretor deRelações Institucionais daCNI diz que a COP28 tambémserá uma oportunida- de para que, se necessário, seja feita uma corre- ção de rumos. “Hoje, o ponto mais importante para o Brasil atingir suas metas ainda é a ques- tãode reduçãododesmatamento ilegal”, avalia. 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 Taxa de DESMATAMENTO NA AMAZÔNIA CAI Taxa é medida entre agosto de um ano até julho do ano seguinte em 22% em 2023 18.165 km 21.650 km 25.396 km 27.772 km 19.014 km 14.286 km 11.651 km 12.911 km 7.464 km 7.000 km 6.418 km 4.571 km 5.891 km 5.012 km 6.207 km 7.893 km 6.947 km 7.536 km 10.129 km 10.851 km 11.599 km 13.038 km 9.001 km 18.226 km Fonte: Prodes/Inpe 11 10 Revista da Indústria Brasileira #083 CAPA

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