Revista Indústria Brasileira - Julho/22

Qual a importância do Mapa Estratégico para orientar a atuação da indústria e do se- tor público no esforço em aumentar a com- petitividade? É essencial. Quando tivemos a ideia de criar o mapa, em 2005, já era um instrumento muito usado por empresas para criar metas e linhas de ação. A empresa tem controle de metas de vendas, de faturamento, de responsabilidade social, e é um ambien- te mais controlável. Quando construímos o mapa, a proposta da CNI era que ele servis- se tambémpara levar a uma discussão para a sociedade, mostrar os principais fatores que determinam a competitividade do Brasil. Qual é a sua avaliação dos resultados em relação ao Mapa 2018-2022 ? Várias metas foram atingidas na área macroeconômica, de financiamento e de política de comércio exterior, mas a grande maioria dos indica- dores, infelizmente, ainda está divergindo da meta. Em termos de trabalhos e de re- sultados, destaco a aprovação da reforma da Previdência, importante para permitir o ajuste fiscal, que por sua vez influencia para que tenhamos uma taxa de juros bai- xa. Isso melhora o ambiente para atração de investimentos e aumento da produção. Na área trabalhista, tivemos avanços importan- tes, como a legislação de terceirização, que reduziu praticamente a zero a insegurança jurídica nesse tipo de contrato. A reforma trabalhista trouxe modernidade. Tivemos redução da burocracia nas normas regula- mentadoras de trabalho. Acho importante também citar a questão da infraestrutura, na qual houve um avanço muito significa- tivo no país nos últimos anos, com aumen- to das concessões e das privatizações, além de novas legislações nas áreas de saneamen- to básico, de ferrovias, de cabotagem e na questão de energia elétrica. Destaco, ainda, os avanços na questão da educação, como a nova lei do ensino médio. Quais são os desafios para a indústria e para o país nos próximos anos? O mundo tem, hoje, algumas tendências que ajudam a desenhar as políticas de governo para o se- tor industrial. O Brasil não escapa disso. A primeira tem a ver com as mudanças climá- ticas, uma demanda que vem principalmen- te dos países desenvolvidos, mas também da sociedade brasileira. Isso requer uma adap- tação na maneira de se produzir, afetando menos o meio ambiente e gerando menos emissão de carbono. Essa agenda ambien- tal é muito forte no setor industrial. Outro fator importante que já vinha acontecendo, mas que foi acelerado com a crise, é a digita- lização, mais conhecida como Indústria 4.0. A pandemia também acelerou a reorganiza- ção das cadeias de valores globais, que esta- vam muito concentradas em fornecedores da Ásia. A atual crise sanitária deixou muito clara a fragilidade de algumas redes e a de- pendência de apenas um fornecedor locali- zado em apenas uma região do país. Então, há uma demanda nos países desenvolvidos, principalmente, mas também de empresas, de diversificar os fornecedores. O Brasil tem a oportunidade de entrar nessas cadeias for- necendo mais para os Estados Unidos e a Eu- ropa e, obviamente, dentro da América La- tina. Entretanto, é preciso fazer o dever de casa: diminuir o Custo Brasil e facilitar o co- mércio exterior, por exemplo. Como investimentos em pesquisa, desen- volvimento e inovação podem ajudar? Eles são essenciais. Inovação é o motor do cresci- mento e isso está provado desde a primeira revolução industrial. Se o Brasil quer crescer e ser competitivo, tem que intensificar a po- lítica de inovação. Política industrial e inova- ção são a mesma coisa, estão juntos. Hoje, os investimentos podem ser focados em proble- mas. Recentemente, o foco de grande parte das políticas de inovação dos países desen- volvidos e do Brasil foi para a geração de uma vacina. Quando usamos o que chama- mos de “política por missão”, você envolve vários setores para resolver um problema na sociedade. O que não falta no Brasil são problemas sociais que a gente possa, com essa política de inovação, resolver. Ao mes- mo tempo, a inovação gera novas ideias e tecnologias e ajuda no crescimento dos de- mais setores da economia. ■ 23 Revista Indústria Brasileira

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