Revista da Confederação Nacional da Indústria

Dados divulgados pela Fundação Getu- lio Vargas (FGV), entretanto, mostram que a confiança do consumidor brasileiro atingiu, em janeiro, o nível mais baixo em sete me- ses diante da piora da pandemia e da ado- ção de medidas mais restritivas para conter o novo coronavírus. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 2,7 pontos em ja- neiro e foi a 75,8 pontos, patamar mais baixo desde junho de 2020 (71,1 pontos), quando se iniciava a fase de recuperação das perdas sofridas no primeiro quadrimestre de 2020. “O recrudescimento da pandemia e a necessidade de adoção de medidas mais restritivas por algumas cidades geram grande preocupação com os rumos da si- tuação econômica do país e das famílias”, explicou em nota a coordenadora das son- dagens, Viviane Seda Bittencourt. “Sem o suporte dos benefícios emergenciais, as fa- mílias continuam postergando o consumo e dependendo da recuperação do merca- do de trabalho, que tende a ser lenta dian- te do cenário atual”, completou. Conforme o Boletim Macro de janeiro do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da FGV, “apesar da perspectiva de início da campanha de vacinação no Brasil, o recru- descimento da pandemia e o fim do período de auxílios emergenciais adicionam muita incerteza ao cenário econômico. Consu- midores voltam ao mercado de trabalho e percebem a grande dificuldade de se obter emprego. Houve desaceleração da ativida- de no final do ano, que pode se intensificar neste primeiro trimestre de 2021”. Na indústria, segundo o boletim, “a re- cuperação se mantém e o setor deve seguir crescendo, a despeito de problemas locali- zados de escassez de matérias-primas. Nes- se cenário, as empresas responderão a estí- mulos de demanda, mas tendem a continuar cautelosas com relação a investimentos e contratações”. Conforme o documento, o rit- mo de novas contratações pode ser afetado nos próximos meses pelo fim do período de quarentena para as empresas que participa- ram dos programas emergenciais de manu- tenção do emprego em 2020. Outro problema, que afeta de maneira distinta os diferentes setores industriais, é a falta ou o aumento do preço de insumos e de matérias-primas. Na construção civil, por exemplo, a falta de insumos atinge uma a cada duas empresas, segundo a pesqui- sa Sondagem Indústria da Construção , divul- gada pela Confederação Nacional da Indús- tria (CNI) no final de janeiro. Conforme a pesquisa, o problema atinge 50,8% das em- presas, percentual que era de 39,2% no ter- ceiro trimestre. Marcelo Perillo, sócio da FBM Farma, conta que, com a pandemia, a rede de lo- gística internacional ficou prejudicada. “Antigamente, se conseguia colocar ati- vos farmacêuticos nos porões de aviões de passageiros. Hoje, esse trânsito de pas- sageiros diminuiu e o custo de logística fi- cou muito alto e difícil. Para trazer uma mercadoria da Índia ou da China, é preci- so passar pela Europa ou pelos EUA para depois vir para o Brasil”, diz ele, também presidente do Sindicato da Indústria Far- macêutica de Goiás. “Hoje, para produzir medicamentos ge- néricos, as indústrias têm que contar com essa logística mais cara e com uma regu- lamentação muito complexa. Houve mui- to aumento de custo, mas a indústria não tem condições de aumentar preço, uma vez que este é definido pela Câmara de Regula- ção do Mercado de Medicamentos (CMED). Às vezes, a matéria-prima está disponível lá fora, mas o custo aumentou e a indús- tria fica impossibilitada de produzir, pois ▶ As pessoas não aguentam mais esse clima de abre e fecha. Entendemos que grande parte do público- alvo será vacinado até abril e, depois, teremos uma recuperação das vendas no Dia das Mães”, aposta Sergio Bocayuva, CEO da Usaflex, que produz calçados no Rio Grande do Sul 20 Revista Indústria Brasileira ▶ fevereiro 2021 ▼ Capa

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